Presidente do Cofecon aprova queda da Selic, mas defende nova política fiscal

O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, avaliou hoje (7) como positivo a redução da taxa básica de juros, Selic. Na quarta-feira (6), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução para 8,25%. Foi a oitava queda seguida, levando a Selic para seu menor nível desde 2013.

Durante o 22º Congresso Brasileiro de Economia, evento organizado pelo Cofecon, Júlio Miragaya disse que a queda era esperada. “Desde 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff, nós já vínhamos cobrando a redução da taxa de juros, porque tínhamos a convicção de que o repique inflacionário tinha três causas, os preços administrados, sobretudo o dos combustíveis; o repasse cambial; e os problemas na safra, que impactaram os preços agrícolas”.

A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e para controlar a inflação. Quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo. Por outro lado, quando a inflação se eleva, o Banco Central geralmente responde com um aumento da Selic.

Para Miragaya, o governo federal, tanto sob o comando de Dilma Rousseff como no de agora com Michel Temer, demoraram a baixar a taxa. “Isso só começou no início do ano passado. Evidentemente que isso teve um impacto negativo, porque concorreu para o aprofundamento da recessão. A Selic estava completamente divorciada da necessidade de ativação da economia brasileira”.

O presidente do Cofecon defendeu mudanças na política fiscal. “Ficar só cortando investimentos, não leva a lugar nenhum. A atividade econômica retrai e a arrecadação cai. Na crise de 2008, o déficit público dos Estados Unidos chegou a US$ 1 trilhão porque lá eles injetaram dinheiro público na economia para recuperar atividade”.

Ele também se disse contra o câmbio flutuante. “Não é do interesse nacional. Ficamos muito vulneráveis ao capital internacional e aos fluxos especulativos e, quando temos uma depreciação da nossa moeda, é mortal para a nossa indústria”, avaliou.

Congresso

O 22º Congresso Brasileiro de Economia teve início nesta quarta-feira (6) e conta com mais de 1,5 mil participantes, incluindo renomados economistas brasileiros e também convidados internacionais. Trata-se do maior evento de economia do país. O tema desta edição é “Desenvolvimento Econômico, Justiça Social e Democracia: Bases para um Brasil Contemporâneo”.

A programação prevê debates de temas variados como reforma tributária, infraestrutura do setor elétrico, previdência, agricultura, desenvolvimento industrial, política cambial, papel do estado na economia e jornalismo econômico. No encerramento, será divulgada a Carta de Belo Horizonte, com o posicionamento politico e econômico dos participantes.

Esta edição presta ainda algumas homenagens. Doutor pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp), Antonio Correia Lacerda recebeu ontem, durante a abertura, o Prêmio Personalidade Econômica do Ano 2016.

O evento homenageou também Maria da Conceição Tavares, economista portuguesa naturalizada brasileira, que completou 87 anos em abril. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual da Campinas (Unicamp), ela deu aula para diversos nomes de expressão do cenário político e econômico brasileiro. Em 2010, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), dois de seus alunos, disputaram a presidência da República. Ela também é lembrada pelo seu trabalho na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), onde trabalhou junto com Celso Furtado.

Agência Brasil

Após cerca de 3 horas, termina depoimento de Joesley na PGR em Brasília

Depois de cerca de três horas, terminou na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, o depoimento do executivo do grupo J&F Joesley Batista. Neste momento, está sendo ouvido Ricardo Saud, outro executivo da holding. Os dois chegaram por volta das 10h ao aeroporto internacional de Brasília, em um jatinho particular para prestar depoimento. A responsável por ouvi-los é a subprocuradora Cláudia Sampaio.

O advogado da empresa, Francisco de Assis, que também é delator, foi o primeiro a chegar e a depor. De acordo com a assessoria da J&F, nenhum deles falará com a imprensa.

Os três delatores foram convocados para esclarecer o teor das conversas gravadas em novo áudio entregue à PGR na última semana.

Nos diálogos, os executivos citam políticos, ex-ministros e até ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles também chegam a afirmar que o ex-procurador Marcelo Miller, que participou do acordo de delação, atuou para beneficiar os executivos.

A PGR suspeita que Miller tenha atuado como agente duplo. O depoimento do ex- procurador está marcado para amanhã (8).

Após receber os áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou investigação para apurar as suspeitas e anunciou que reveria o acordo de delação premiadaassinado com os executivos.

Uma das possibilidades é que, após ouvir os executivos, Janot suspenda os benefícios da delação premiada. Entre os principais benefícios, eles não seriam indiciados criminalmente pelos crimes relatados. Janot pode pedir também a prisão dos delatores se entender que eles mentiram na delação. Em coletiva de imprensa no início da semana, Janot afirmou que, mesmo cancelado o acordo, as provas obtidas têm validade.

A tese foi rebatida pelo advogado do presidente Michel Temer, Antônio Cláudio Mariz. A decisão final da validade das provas deve ficar com o Supremo Tribunal Federal.

Agência Brasil

Dinheiro achado em imóvel que seria usado por Geddel soma mais de R$ 51 mi

A Polícia Federal (PF) concluiu no fim da noite dessa terça-feira (5) a contagem do dinheiro apreendido em um apartamento na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça em Salvador, que, segundo a PF, “seria supostamente, utilizado por Geddel Vieira Lima [ex-ministro] como bunkerpara armazenagem de dinheiro em espécie”. Foram contabilizados R$ 42.643.500 e US$ 2.688 milhões, totalizando, em reais, R$ 51.030.866,40.

O dinheiro foi encontrado pelos policiais ao cumprir mandado judicial de busca e apreensão, emitido pela 10ª Vara Federal de Brasília, dentro da Operação Tesouro Perdido, desdobramento da Operação Cui Bono, cuja primeira fase foi deflagrada pela PF em 13 de janeiro deste ano. Os valores apreendidos serão depositados em conta judicial.

O apartamento pertence, segundo a Justiça, a Silvio Silveira, que teria cedido o imóvel ao ex-ministro, para que guardasse, “supostamente, pertences do pai, falecido em janeiro de 2016″. Uma denúncia anônima, feita por telefone, alertou a polícia de que Geddel estaria utilizando o apartamento no bairro da Graça para “guardar caixas com documentos”, o que foi constatado após consultas realizadas aos moradores do edifício.

No documento autorizando a operação, o juiz Vallisney de Souza Oliveira considerou que as práticas precisam ser investigadas “com urgência”, devido aos fatos relacionados a “vultosos valores, delitos de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e participação de agentes públicos influentes e poderosos”. A decisão do juiz, autorizando a operação, foi assinada na última quarta-feira (30).

Operação Cui Bono

A Operação Cui Bono investigou esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal no período entre 2011 e 2013. De acordo com a investigação, entre março de 2011 e dezembro de 2013, a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição era ocupada por Geddel Vieira Lima.

A investigação da  Cui Bono – expressão latina que em português significa “a quem beneficia?” – é um desdobramento da Operação Catilinárias, deflagrada em dezembro de 2015, no âmbito da Operação Lava Jato, quando policiais federais encontraram um telefone celular na residência do então presidente da Câmara dos Deputados, o ex-deputado federal Eduardo Cunha, que revelou intensa troca de mensagens eletrônicas entre Cunha e Geddel. A operação tinha a finalidade de evitar que provas importantes fossem destruídas por investigados da Lava Jato.

Atualmente, o ex-ministro Geddel Vieira Lima cumpre prisão domiciliar em Salvador.

Agência Brasil

Polícia Federal encontra fortuna em “bunker” do ex-ministro Geddel

Uma verdadeira fortuna foi encontrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (5) em um endereço associado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima  em Salvador, na Bahia. A quantia armazenada em várias malas e caixas estava em um apartamento supostamente utilizado como “bunker” pelo ex-articulador político do governo Michel Temer, conforme informou a própria PF.

A apreensão foi realizada durante a Operação Tesouro Perdido, 3ª fase da Operação Cui Bono, que apura o envolvimento de Geddel Vieira Lima em esquema de pagamento de propina a agentes públicos a partir de repasses de fundos de investimentos controlados pela Caixa Econômica Federal.

A quantia total de dinheiro em espécie ainda não foi contabilizada, o que será feito após o transporte do montante a um banco. Segundo a Polícia Federal, o valor posteriormente será depositado em uma conta judicial.

O mandado de busca e apreensão foi emitido pelo Juízo da 10ª Vara Federal de Brasília, que ainda não transmitiu informações a respeito da nova fase da Cui Bono. De acordo com a PF, o endereço na capital baiana foi identificado a partir das investigações de dados coletados nas primeiras fases da operação.

Funaro já havia relatado malas de dinheiro

Em pedido de prisão preventiva apresentado em julho pelo Ministério Público Federal, os procuradores já haviam mencionado depoimento de Lúcio Funaro em que o lobista relatou aos investigadores ter entregado malas de dinheiro a Geddel.

“[Funaro] fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima. Essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador (BA), diretamente nas mãos de Geddel”, transcreveu a Polícia Federal. “Realmente, em duas viagens que fez, uma para Trancoso (BA) e outra para Barra de São Miguel (BA), o declarante [Lúcio Funaro] fez paradas rápidas em Salvador (BA) para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel Vieira Lima.”

O ex-ministro se tornou réu no fim do mês passado por suposta tentativa de embaraçar investigações . A denúncia recebida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, está ancorada nas ligações feitas por Geddel à esposa de Lúcio Funaro, Raquel Pitta. De acordo com os procuradores das operações Cui Bono e Sépsis, Geddel teria pressionado Raquel para tentar evitar que Funaro fechasse um acordo de colaboração com a Justiça – o que posteriormente veio a acontecer.

Geddel Vieira Lima chegou a ser preso preventivamente no início de julho, mas acabou autorizado a cumprir prisão domiciliar após decisão de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

iG

Nova fase da Lava Jato mira compra de votos na escolha do Rio como sede olímpica

Policiais federais cumprem na manhã de hoje (5), no Rio de Janeiro, dois mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão, em nova fase da Operação Lava Jato. A Operação Unfair Play tem o objetivo de desmontar um esquema criminoso envolvendo o pagamento de propina em troca da contratação de empresas terceirizadas por parte do governo fluminense.

As investigações, que contam com apoio de autoridades francesas, indicam a possibilidade de participação de dono de empresas terceirizadas em suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para a escolha da cidade do Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional como sede das Olimpíadas 2016, “o que ensejou pedido de cooperação internacional com a França e os Estados Unidos”, diz a nota da Polícia Federal.

“As investigações, iniciadas há nove meses, apontam que os pagamentos teriam sido efetuados tanto diretamente com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais. Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros”.

Os mandados judiciais foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal, no Rio, e estão sendo cumpridos em endereços nos bairros do Leblon, Ipanema, Lagoa,  centro, São Conrado, Barra da Tijuca, na zona sul, e do Jacaré, na zona norte, e no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e em Paris, na França.

Agência Brasil