Brasil

Avaliação de WS sobre Nordeste repercute

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15/10/2014


A análise produzida pelo comentarista político e blogueiro Walter sobre o processo histórico do Brasil no tratamento do Nordeste ao longo dos séculos mereceu comentários do professor Carlos Roberto de Oliveira e até aproveitamento na integra do artigo no Blog do Zé Dirceu, em São Paulo, mantido por colaboradores.
O professor e consultor em marketing, Carlos Roberto de Oliveira, também colunista da Revista NORDESTE comentou:
"Para os objetivos imediatos, considero oportuno e bom o trabalho. Feita de um só fôlego e eivada de emoção ( ou melhor, de nordestinidade) a análise política e sócio-econômica levanta argumentos e narra fatos históricos que explicam preconceito e discriminação que envergonham a Nação brasileira. Como você demonstra e expõe, o Brasil nasceu e se desenvolveu, não apenas na fase colonial extrativista,mas,nas décadas mais recentes ,quando o petróleo baiano tornou-se um dos esteios da economia brasileira.
Gostei,meu amigo, da sua abordagem e do seu entusiasmo pela terrinha. Faltou, apenas, somar aos recursos da região e ao trabalho denodado do povo nordestino, a sua contribuição cultural ao país: uma plêiade de gênios como Rui Barbosa, Tobias Barreto, Celso Furtado, Câmara Cascudo, Jorge Amado,Fagner, Castro Alves, Gonçalves Dias,Caetano, José de Alencar, Augusto dos Anjos,Betânia, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Luiz Gonzaga, etc….Uma "seleção" dessas deve perturbar e inquietar, ainda mais, a elite sudestina."


Já o Blog do Zé publicou o texto a seguir:


De 1808 até 2014: a História revisitada do Nordeste
Por Walter Santos


Não precisa “economizar-se” em Haward, nem mesmo “doutorar-se” em Campinas para compreender facilmente o processo histórico e econômico social que fez do Nordeste, a primeira região sede da Capital do País (Salvador) enfrentar mais de séculos de abandono das Grandes Políticas da Coroa até a fase republicana conduzida pelo olhar e postura Elitista concentradora, ainda hoje com resquícios vivos de “Casa Grande & Senzala”, do genial Gilberto Freyre, se fosse pouco enxergar na análise crítica de Celso Furtado, que só com redução das desigualdades poderemos ter um Brasil mais igual, cidadão e líder.
Há quem se exalte de renegação, mas depois que a Família Real portuguesa decidiu não ficar mais em mares baianos, por onde passou apenas dois meses de soslaio, idas e descidas mal humorada diante da negritude afro-brasileira e, enfim, partiu para se instalar no Rio de Janeiro, gerando em 1808 o advento da “Abertura dos Portos às Nações Amigas” – de verdade mesmo, somente para satisfazer a Inglaterra, daí em diante o Nordeste entrou num processo de decadência total.
Este aspecto da mudança da Capital do País é tão forte que, só para se ter uma ideia, enquanto Salvador comandava as ordens da Corte, um estado vizinho do Nordeste, Pernambuco, foi quem primeiro instalou o transporte coletivo férreo puxado a tração animal, de origem inglesa, exatamente porque em torno da Grande Recife instalava-se a fase áurea da Cana-de-Açúcar celebrando uma fase importante da economia do Brasil.
Repito: como era potência econômica, Recife se fez sede deste marco no transporte de massa, ou seja, isto não se deu em São Paulo, Rio, Minas, etc, porque nos anos de 1872, por exemplo, a maior cidade da América do Sul ainda era pequena para os rumos econômicos a seguir.


CENTRALIZAÇÃO NO SUDESTE


A partir da instalação da Família Real no Rio de Janeiro em torno deste magnífico território geo-político acabou que atraindo as grandes obras e feitos, a exemplo da criação do Banco do Brasil, Correios, além de investimentos imobiliários extraordinários.
Isto não desmerece nada, mas a miopia da Elite centralizada entre o Rio e São Paulo passou a ignorar enormemente o Nordeste brasileiro, onde já havia concentrado a Capital política do Pais, da mesma forma o Norte e Centro-Oeste, inexistentes para o interesse elitizado.
Só para lembrar, no inicio das Políticas de Industrialização do País tomando por base até a influência da fase áurea da Revolução Industrial da Inglaterra, o Governo Federal decidiu centralizar no Sudeste 80% dos investimentos industriais, dos quais 44% ficaram em São Paulo, daí compreendermos porque durante tanto tempo se convencionou o Estado como “Locomotiva do Brasil”.
Deste tempo em diante, ao Nordeste restou desatenções econômicas e sociais permanentes, anos após anos, passando a conviver com migalhas de ações emergenciais diante do secular fenômeno da Seca dizimando milhares de pessoas ao longo das décadas.
Este quadro de penúria fez do Nordestino um migrante contumaz para construir as selvas de aços e de antenas do Sudeste e do Sul, através de milhares de Edifícios, mas que fazia do “Nortista”, como assim era chamado, um ser humano a povoar somente as periferias do Rio e de São conduzidos aos dois Estados em “Paus de Arara” – veículo condutor das mais duras condições de traslado para uma pessoa humana.
O Nordeste passou décadas sendo a Pátria do Êxodo rural dos castigados pela Seca imortalizada em muitas canções populares famosas.


JUSCELINO É QUEM DESPERTA


Depois de anos e mais anos de instabilidade política até o Século XX movida pela “Cultura golpista” implantada nos Quartéis e nas diversas Armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) com apoio de Civis conservadores, o Brasil ainda enfrentou um dos períodos mais difíceis que foi a coragem do presidente Juscelino Kubitscheck de construir Brasilia e transferir a Sede da Capital do País para o Centro – Oeste dando-lhe natureza mais Central ao Poder e decisões de futuro distante do Rio de Janeiro.
Mesmo enfrentado a fúria carioca, através de Carlos Lacerda, Juscelino teve a competência de saber dar significado ao Governo na busca de abranger políticas que chegassem a todas as regiões, e não somente aos Estados do Rio e de São Paulo onde se concentraram por décadas as grandes obras do Brasil.
Foram as heranças passadas, a cultura da elite míope à necessidade de outros brasileiros com muitas necessidades, que até hoje enfrentamos os danos da concentração de renda e da ampliação das desigualdades regionais.
O mineiro Presidente teve coragem e enfrentou a imperiosa necessidade de levar o Brasil a um estágio de modernidade rasgando estradas na direção do Norte e, entre outros feitos, deflagrado fortes Políticas de Desenvolvimento Regional para enfrentar as intempéries climáticas e de desvantagens econômicas.
É então que, ao chamar para perto de si o economista paraibano Celso Furtado, então no Rio de Janeiro de férias se preparando para voltar ao Chile, indicado por outro economista paraibano chamado Juarez Farias, o presidente passa a abrigar os primeiros Planos de Desenvolvimento planejados e executados por uma equipe jovem de Pensadores sob a batuta do recém concluinte em Doutorado na França porque, argumentavam os colegas, “era quem mais entendia do assunto”.
Com Celso Furtado, Juscelino implantou as primeiras medidas na direção do Desenvolvimento Regional no Brasil na perspectiva de reduzir o fosso econômico existente entre Rio – São Paulo e o restante do País.
No Nordeste foi imprescindível a implantação da SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – não só construindo edifício – modelo, mas apostando na capacitação de técnicos da própria região, sedimentando conhecimento e, enfim, adotando pela primeira vez Linhas de Financiamento para atividades econômicas especificas.
Pela primeira vez, desde que a Família Real deixou Salvador o Governo Federal voltou-se para uma Política estruturante e de efeitos sócio-econômicos.
Mas, como conta a História, o Golpe Militar de 1964 interrompeu o ciclo de estruturação sócio – educativa e empresarial por força da nova Cultura de domínio estabelecida, na qual as regras atendiam muito mais a esquemas políticos de sustentação do que propriamente de ampliação do Mercado e do desenvolvimento bem estruturado no Nordeste.
Os novos modos permitiram a politização coronelista, ainda hoje vigente em menor escala no Nordeste, permitindo-se com isso desvios de identidade de projeto e, sobretudo, de recursos públicos se direcionando a contas bancárias particulares.
Este ciclo ensejou interromper as linhas básicas de Celso implantadas por Juscelino.


DEPOIS, SÓ LULA RESGATA REESTRUTURAÇÃO


Não se pode ignorar as qualidades intelectuais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que fez pactos localizados com lideranças políticas do Nordeste – vide ACM na Bahia levando a Ford, etc; até mesmo o ex-governador Jarbas Vasconcelos com obrais pontuais em Pernambuco mas, no frigir dos ovos, o fechamento da SUDENE em seu período de gestão aponta para a constatação de que as Políticas de FHC para o Nordeste nunca foram numa perspectiva macro de reincremento do desenvolvimento como redutor das desigualdades.
É partir do Governo Lula, em 2003, entretanto, que os 9 Estados nordestinos passaram a ser incluídos numa nova etapa e realidade na qual o Governo Federal passou a incluir nas prioridades de investimentos nacionais a imperiosa necessidade de aportar grandes Obras e Recursos para fomentar a economia do Nordeste num patamar que, oito anos depois de seus dois mandatos, elevaram a economia e a vida dos cidadãos para um nível nunca alcançado em toda a História da região.
Além de Estaleiros, Grandes Portos, Siderurgias, Duplicação de Rodovias Federais, atração de Altos Investimentos anteriormente concentrados no Sudeste, como Indústrias de todos os níveis, inclusive automobilístico, a Gestão Lula passou a tratar de um dos mais graves problemas também chamado de Exclusão Social passando a dar dignidade a milhões de brasileiros incluídos na lista dos Miseráveis.


DILMA CONSOLIDA


Mais do que incrementar a Economia, Lula apostou as fichas na nova fase da Educação tendo como executiva de todos os grandes programas a então Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que de forma rigorosa passou a comandar o que se convencionou como as Políticas de Inclusão Social atreladas ao apoiamento ao micro e pequeno negócio sem desleixar das grandes obras advindas dos investimentos na Construção Civil resolvendo o problema da moradia para milhões de brasileiros espalhados pais afora.
É na fase de Dilma Presidenta, de 2010 em diante, que as obras se ampliam, os investimentos do BNDES, BNB, CEF, BB fazem destes instrumentos de incentivo financeiro o esteio para o Nordeste se manter crescendo, como haverá de assim ser nos próximos anos, regando a iniciativa privada nos vários níveis, da mais alta estrutura ao micro e pequeno negócio.
Sem tirar nem por, a História fala por si só e pelos personagens que fizeram ou fazem a diferença entre o Brasil de perspectiva com o País influenciado pela Cultura de “Casa Grande & Senzala” a odiar o crescimento dos excluídos e dos mais humildes convivendo lado a lado com todos os brasileiros – irmãos.

 

(Da redação do WSCOM)


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