Internacional

Brasileiros em missão de paz em Madagascar, na África, relatam cruel realidade e avanços de africanas

05/12/2019


Por Walter Santos

No mundo de tantas surpresas trágicas nos continentes e de conflitos humanos surpreendentes, ainda assim há registros de atos humanistas diferenciados. É o que vive neste inicio de dezembro em.Madagascar, na Africa, um grupo de brasileiros decididos a experimentar a mais forte experiência humana diante de uma sociedade negra depalperada , recursos e com medo de tudo, até da ajuda humanitária à frente.

A consultora e empresária Tania Paranhos, mulher de padrão social elevado da Barra da Tijuca deixou sua imponência econômica para conviver com o mais duro cenário social de sua vida convivendo com a pobreza africana absoluta.
Tânia Paranhos é viajada, conhece o mundo ainda a si mesmo:

– Como o ser humano é capaz de comviver com tamanha degradacão social sem reagir para resolver?

TÂNIA SE MANIFESTA
Ela resolveu se revelar em depoimento à Revista NORDESTE, atualmente em conversação com os partidos de Lingua Portuguesa, em Portugal.

Ela diz: “Tornando-se dispensável…

Sem nenhum demérito para o que, nós caravaneiros, fazemos, a tarefa mais importante da FSF é o desenvolvimento de trabalho e renda para os locais.

É acrescenta:

– Todas as propostas sugeridas à partir da observação do dia a dia são discutidas com eles e implantadas se e qdo eles acham necessário, viável e possível…

Eles tem um sistema decisório beeem
lento, às vezes enviezado se olhamos com os nossos óculos, mas muita consciência da colaboração que recebem…
TÂNIA OBSERVA
Segundo ela, “Tb tem dificuldade de trabalhar sem receber, trabalhar “plantando” pra depois, colher. Da mesma forma que não conseguem entender ir ao médico sem estar doente. Grávidas fazendo pré-natal?Nem pensar! Algum cuidado preventivo?
Incompreensível….

A SOLUÇÃO QUE EXISTE

Tânia explica:
A- Apesar de um milhão de dificuldades, eis alguns projetos já implantados:

Fábrica de bio-carvão – suas casas são muito pequenas, de um único cômodo não importa qtos ali moram. No frio ou na chuva, acendem o fogareiro para cozinhar dentro de casa, com gravetos achados no entorno ou carvão. Isto causa enormes problemas respiratórios…. Um caravaneiro desenvolveu uma massa com materiais da região que, prensada e cozida, substitui os gravetos com gdes ganhos para a saúde e para o bolso… usam o que precisam e vendem o excedente.

Artesanato- reforçando a tradição da cestaria que eles já tem, a FSF tem estimulado novos padrões de desenho, novas utilidades para as mesmas coisas, além de comprar o excedente da produção para venda no Brasil.

Padaria- foi construído o espaço e o forno. A padaria entrou em operação. Mas problemas de gestão a mantém parada a 42 dias. A solução tem que partir deles. À conferir…

Beneficiamento da mandioca- Claudete, caravaneira nutricionista, passou um mês aqui e mostrou muitas formas de beneficiar e conservar a mandioca, de forma a produzirem a farinha, em diversos estágios, conservadas com folhas de louro. À partir disto, mil possibilidades…

Mandala de horta- João veio na nossa caravana, com mulher e filhos para morar aqui por um ano. Agrônomo, tem muito a colaborar. Está desenvolvendo  um modelo de horta pessoal, em formato de mandala, para que as famílias tirem parte do seu sustento dali e vendam o excedente. Eles observam ressabiados, querendo ver para crer… à conferir .

Oficinas de culinária Arimila é a mulher do João. Bióloga e doula, gosta muito de cozinhar. Já conseguiu fazer 3 oficinas com as mulheres locais, com público crescente. Na última, veio até um homem. Ela tem mostrado outros usos aos produtos que lhes são usuais… ensinou a fazer tapioca, paçoca e farofa.

Viveiro de horta, temperos, plantas medicinais – mudas multiplicadas de forma sistemática, para que todos tenham a sua disposição e plantem onde quiserem;

Serralheria – uma pequena serralheria os possibilita fazer ferramentas e outros utilitários.

Confecção dos banheiros. Aqui são usadas fossas bem rudimentares e cactos ao redor para alguma privacidade. Equipes que nos precederam desenvolveram com eles, um modelo de “tampa” de cimento, com um buraco no meio, que os permite, ao final, lacrar a fossa. Em vez de cactos como paredes, esteiras feitas pelo grupo de mulheres…

Na área da saúde acontece o mesmo. Janaíne, a médica de família aqui há ano e meio, conseguiu formar uma boa equipe de agentes de saúde que já dão conta de muita coisa…
À pedido dela, Roger, o ginecologista da nossa caravana, introduziu 6 novos protocolos de exames e procedimentos com a agente de saúde que só atende gestantes…

A mim foi pedido que montasse um processo que permita à Elise, funcionária da farmácia, elaborar uma lista semanal de compras de medicamentos, de forma que nada falte… Passei um dia, com Elise, Camila, a baianinha que tb é farmacêutica e um tradutor, dando uma geral no depósito de remédios, depois na própria farmácia. Em seguida, montamos com Elise um método para que tenha a lista de medicamentos a serem repostos, tanto para a farmácia, qto para o estoque. À conferir…

Adam, um caravaneiro que morou aqui por 8 meses, implantou oficinas de costura, entre outras coisas…

Muito ainda por fazer, em muitas áreas e com muita dificuldade.
Janaíne conta que, cada vez que vai ao Brasil, alguns óbitos acontecem.
Mas cada vez menos. Diz, em sua mansidão, que seu sonho é tornar-se dispensável…

Temos o olhar comprometido de quem foi mordido por esta imensidão de necessidades.
E fé nos próximos capítulos…
Sabemos que este povo é resistente, gigante pela própria natureza…
Estamos pegando o caminho de volta, observando a vida, plena de diferenças, não importa a geografia. Somos um mundo de emoções batidas no liquidificador.
Difícil partir, difícil ficar, difícil achar o sentido outra vez…
Vida corrida, atropelada, comum agitada, a que nos espera….

Nada a reclamar.
Ainda com Almir Sater: Ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso pq já chorei demais…
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe. Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei…


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