Nordeste

Caixa leiloa 750 imóveis retomados por inadimplência no Ceará

Um estoque de R$ 187,4 milhões correspondente a cerca de 750 imóveis adjudicados em todo o Ceará serão leiloados pela Caixa Econômica Federal

08/09/2020


Imagem ilustrativa - Fortaleza, Capital do Ceará

Um estoque de R$ 187,4 milhões correspondente a cerca de 750 imóveis adjudicados em todo o Ceará serão leiloados pela Caixa Econômica Federal. A adjudicação consiste na retomada do imóvel que foi financiado e não pago.

Para o mutuário perder o imóvel para a instituição financeira, basta atrasar três parcelas do financiamento. De acordo com Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), a retomada do imóvel acontece somente após a segunda oferta do imóvel à praça, sem que a compra seja efetuada por terceiros.

A venda desses imóveis é uma grande oportunidade para corretores e imobiliárias. Mas para participar dos leilões, eles têm até esta quinta-feira (10) para se cadastrar no site da Caixa.

Todo o processo é feito de forma virtual, “A venda dos imóveis adjudicados é bem transparente. É mais um nicho de mercado para os corretores de imóveis. Os descontos chegam a 80% do valor real do imóvel, além de condições diferenciadas, como financiamento de até 95% do valor do imóvel”, revela a corretora de imóveis Bia Pontes, coordenadora do Convênio Cofeci-Caixa.

Ela destaca vantagens relacionadas à documentação dos bens. “Os imóveis da Caixa são juridicamente perfeitos, com toda a documentação em ordem. A Caixa também assume os débitos de condomínio e impostos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)”. E no caso de imóveis ocupados, “o novo comprador vai estar ciente de que o imóvel está em estado de uso e ocupação e que ele terá que arcar com as custas do processo, muitas vezes, judicial”.

Mas a corretora não acredita que a ocupação do imóvel seja impedimento para a venda. “A desocupação não é uma objeção, pois o perfil do comprador é a aquisição para investimento: uma oportunidade de comprar imóveis de qualidade a um preço abaixo do valor de mercado”.

Riscos

Para o economista Lauro Chaves, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), como em qualquer negócio, o investidor precisa se cercar de certos cuidados. “Os imóveis que vão a leilão exigem que o comprador seja assessorado por especialistas, tanto para visitar os imóveis e fazer uma avaliação correta, como na área jurídica para verificar os aspectos referentes à documentação”, alerta.

Um cuidado importante ao comprar um imóvel adjudicado é em relação à desocupação dele. É praxe os bancos transferirem ao novo proprietário a tarefa de desocupar o imóvel ainda ocupado pelo antigo, o que, em muitos casos, é necessário recorrer ao Poder Judiciário. Assim, os especialistas recomendam que o comprador tenha uma reserva para cobrir as questões judiciais, caso se façam necessárias.

Modalidades

Para recuperar o valor que o mutuário inadimplente não pagou, a instituição bancária pode recorrer a três alternativas: o leilão, a concorrência pública e a venda direta. O leilão é a opção inicial e principal, antecedida de edital que esmiúça o processo de negociação. No primeiro e segundo leilão, o imóvel adjudicado é alienado para o participante que fizer a melhor oferta pública (leilão) ou em envelope fechado (concorrência pública).

Quando o imóvel não recebe ofertas em leilão, nem na fase seguinte (de concorrência pública), ele será arrematado pelo primeiro valor ofertado, desde que não seja inferior ao estipulado no edital.


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