Política

Chefe da Lava Jato em São Paulo teria pedido para adiar operação contra Serra

De acordo com a denúncia da Lava Jato, entre 2006 e 2007, o tucano usou seu cargo para receber da Odebrecht pagamentos indevidos em troca de benefícios nas obras do Rodoanel Sul

03/09/2020


Na imagem o senador tucano José Serra

Procuradores da Lava Jato de São Paulo, que pediram demissão coletiva nesta quarta-feira (2), disseram que a chefe da operação em São Paulo, Viviane Martinez, propôs o adiamento da operação contra o senador José Serra (PSDB-SP). De acordo com a denúncia da Lava Jato, entre 2006 e 2007, o tucano usou seu cargo para receber da Odebrecht pagamentos indevidos em troca de benefícios nas obras do Rodoanel Sul. A Justiça bloqueou R$ 40 milhões em conta usada por Verônica, filha do parlamentar, para receber propinas.

A operação contra o ex-governador aconteceu no dia 3 de julho, mas, de acordo com procuradores, “nessa esteira, em 11/06/2020, sete peças com pleitos investigatórios foram concluídas, no Sistema Único, para assinatura de todos os integrantes desta Força-Tarefa, e posterior remessa à Justiça Federal, em favor de possível operação que, fartamente embasada em provas, atingia agentes da cúpula do então governo do estado de SP, e apuraria crimes praticados entre 2006 e, ao menos 2014”.

“Surpreendentemente, contudo, apesar de não ter feito qualquer objeção à época das trocas de minutas, a Procuradora Viviane enviou um e-mail, em 12/06/2020, aos demais integrantes da Força-Tarefa, pedindo que as peças fossem recolhidas do Único, e que a operação planejada fosse adiada”, dizem. O teor do documento foi publicado pela CNN Brasil.

Os procuradores afirmaram que o motivo alegado foi a intenção do procurador-geral da República, Augusto Aras, de criar uma unidade centralizadora de investigações, em Brasília.

“Ela não apresentou qualquer razão jurídica para fundamentar o que pedia, seja em termos de divergência quanto ao cabimento da investigação, seja em termos de divergência quanto a distribuição do caso. Ao revés, apenas argumentou que seria possível que, em agosto, a chamada Unidade Nacional Anticorrupção – UNAC fosse aprovada por esse Egrégio Conselho Superior do Ministério Público Federal, e que isso, a seu ver, poderia fazer com que o caso fosse retirado de sua responsabilidade”, disseram.

“Em outras palavras, a Procuradora Viviane considerou razoável postergar por quase dois meses o protocolo de pedidos investigatórios pertinentes a uma operação de relevo (a maior até então planejada pela Força-Tarefa Lava Jato de São Paulo), apenas na expectativa (de duvidosa concretude, considerando os próprios termos do Anteprojeto que trata da UNAC) de uma decisão da cúpula da instituição fazer com que este caso deixasse de ser de sua atribuição”.


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