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China pode ampliar importações de carne de frango do Brasil, mesmo com aumento da produção interna

Pequim pretende ampliar a produção em mais 7,2%, atingindo um total de 24 milhões de toneladas anuais

18/08/2020


Imagem meramente ilustrativa

Sputnik – O Brasil pode aumentar ainda mais as exportações de frango ao país asiático, é o que aponta o diretor-presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina).

Segundo o governo chinês, a produção de frango no país asiático registrou um aumento de 12,3% em 2019. Já em 2020, Pequim pretende ampliar a produção em mais 7,2%, atingindo um total de 24 milhões de toneladas anuais.

China é destino de 17% das exportações brasileiras de frango, atendendo 70% da demanda de importação chinesa do produto. As recentes notícias, no entanto, suscitam temores de que o maior importador de carne de frango do Brasil poderia reduzir as suas aquisições.

“A previsão é de que o consumo de frango na China aumente 9% ao ano. Todo país adéqua a sua produção à demanda do mercado. E a gente sabe que o mercado chinês é gigantesco. O mercado chinês consome muita carne de porco, e agora há um aumento na demanda de frango. Portanto, é natural que o mercado busque atender com a produção interna, ou importação, como acontece em qualquer outro país”, explicou o advogado Thomas Law, diretor-presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China.

Para o advogado, o elevado aumento da capacidade produtiva chinesa não deve afetar os produtores brasileiros de carne de modo imediato, que podem até aumentar as suas exportações.

“Não será um abalo imediato, mas precisamos nos preparar. Brasil tem margem para aumentar suas exportações de carne de frango para a China. O setor avícola chinês, apesar dos subsídios e do crescimento rápido, ainda tem limitações de estoque genético”, afirmou o especialista.

Segundo o advogado, as importações de carne de frango pela China devem aumentar 32%, segundo as previsões do governo e mesmo com aumento da produção local. Desse modo, segundo Thomas Law, “temos muito espaço para crescer”.

Coronavírus e pragmatismo

Ao comentar os recentes transtornos, provocados por supostos casos de contaminação de carne brasileira com o novo coronavírus, o advogado lembrou que não houve nenhuma iniciativa por parte do governo chinês para restringir o mercado. Para ele, apesar de possível, um eventual embargo à produção brasileira por parte de Pequim parece “pouco provável” que isso aconteça.

Para o entrevistado, as relações comerciais geralmente são mais pragmáticas, do que na política. Por esse motivo, o comércio entre os dois países deve continuar, mesmo em caso de eventuais tensões, geradas pela política externa do atual governo brasileiro.

“A relação comercial é pragmática. Também temos pessoas preparadas para conduzir as negociações de um ponto de vista prático como, por exemplo, a ministra da Agricultura [Pecuária e Abastecimento], Tereza Cristina, que tem um bom relacionamento com a China”, concluiu.

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