Walter Santos Walter Santos

Jornalista e diretor executivo do grupo WSCOM


  • postado em 02/02/2015

    Os efeitos da 'dureza" de Dilma

    Os efeitos da 'dureza

    A festa de comemoração da vitória do deputado federal Eduardo Cunha na presidência da Câmara Federal passou um pouco das 2 horas da madrugada de ontem, em Brasilia, sem que houvesse uma mínima ligação da Presidenta da República, Dilma Rousseff, ao novo líder da Casa “Menor” do Congresso Nacional.

    Este fato traduz singelamente o perfil da presidenta Dilma nas relações produzidas não só com Eduardo Cunha, mas com as diversas faces do universo político brasileiro. Ele se lixa para protocolos fundamentais em horas de adversidade, no caso dela óbvio.

    A atitude de Dilma representa a inexistência de flexibilidade, enquanto postura, de gerar movimentos que sejam além de protocolares sinais de convivência básica, inclusive com Eduardo Cunha, porque ele passou a ser um agente de alta importância na correlação de forças dentro e fora do Congresso Nacional.

    Por ser o ator preponderante na representatividade dos interesses da Oposição partidária e fora desse ambiente, Eduardo Cunha vai ter que ser tratado – o ex-tecnico Zagalo diria “engolido”, porque não existe nenhuma outra fórmula na nova conjuntura.

    Ao não dar um telefonema de parabéns ela bem diz que vai sofrer intimamente muito para conviver com que ela deve ter ascos, no caso o novo presidente da Câmara, mas esta é a dura realidade de quem exerce o cargo precisando conviver com outros Poderes.

    Ou Dilma flexibiliza ou vai ter muitas dificuldades para governar.
     



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  • postado em 29/01/2015

    A sangria da Petrobrás e a força do emprego no Brasil

    A Petrobrás, enquanto maior empresa brasileira em face de seu alto índice de faturamento, nunca viveu em toda a sua história uma campanha de desvalorização tão imensa quanto vem encarando nos últimos tempos. Parece até “caso pensado” da grande mídia em sintonia com o Capital estrangeiro para gerar depreciação e busca de terreno fértil para que empresas internacionais passem a explorar o Pré-Sal.

    A abordagem não ignora a necessidade de se apurar o caso “Lava Jato”, absolutamente, mas impressiona o volume e a vontade de sangrar maximamente nossa riqueza advinda da Petrobras.

    Em contra-ponto, mas escondida dos noticiário da Grande Midia, o Brasil atinge o recorde positivo de desemprego de toda a sua história, mas os veículos de comunicação só pensam na Petrobras.

    Como foi dito, o desemprego brasileiro caiu a 4,3 por cento em dezembro, ante 4,8 por cento em novembro, e igualou a mínima histórica registrada no mesmo mês de 2013, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

    Com isso, o desemprego encerrou 2014 com taxa média de 4,8 por cento, também a menor da série, contra uma taxa média de 5,4 por cento em 2013. Em dezembro de 2014, a taxa de desocupação foi estimada em 4,3%, repetindo o percentual de dezembro de 2013 e mantendo o menor nível de toda a série histórica da PME. Em novembro de 2014, a taxa fora de 4,8%.

    Já a taxa de desocupação média de janeiro a dezembro de 2014 foi estimada em 4,8% (a menor da série), contra 5,4% em 2013. Em relação a 2003 (12,4%), a redução chegou a 7,5 pontos percentuais.

    Trocando em miúdos, o Brasil vive uma fase de melhor aproveitamento de sua população no emprego, ao contrário das demissões sem fim em outros continentes, mas por força de interesses inconfessáveis estes números positivos são encobertos diante da sangria da Petrobras.
     



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  • postado em 25/01/2015

    A França, a Justiça, o Caso Dreyfus e Zé Dirceu

    A França, a Justiça, o Caso Dreyfus e Zé Dirceu

    A realidade brasileira contemporânea expondo fatos e versões sobre a cena política nacional não se cansa de ser abrigo de situações a perturbar a elite, invariavelmente através de Grandes veículos de comunicação, manipulando e criando “punições” sistemáticas acerca da pauta de Escândalos querendo a todo custo apear o Governo do PT. As cenas de agora, por exemplo, a envolver o advogado e ex - Ministro da Casa Civil, José Dirceu, bem lembra capítulos importantes da história da humanidade, no caso em tela retratados no “Caso Dreyfus”, em 1845, ocorrido na França, em que o escritor Émile Zola desvenda e muda o rumo de uma grave injustiça e condenação promovida contra o Oficial do Exército Francês.

    A rigor, são situações absolutamente distintas com enredos e motivações diferentes, mas o que cabe em si na essência dos casos é a luta incessante para se fazer reparo em decisões da Alta Corte tomados sob argumentos do bem maior da Nação – um, na França e outro no Brasil – só que, nas duas situações, a condenação se dá de forma arbitrária e injusta.

    O caso do Oficial francês expõe um cenário de traição à Pátria porquanto existiu vazamento de “assuntos secretos” da França para a Alemanha, só que o militar punido nunca participara de qualquer delito mas, por força de manobra do Alto Comando, acabou que construindo um Mártir, mesmo execrado pela sociedade e Opinião pública francesa induzida que foram ao juízo de valor equivocado.

    A luta de reversão no caso francês se deu graças ao engajamento do famoso escritor Émile Zola, um dos mais notáveis de toda a história, ao se convencer de que havia trama sórdida para encobrir o verdadeiro culpado pela traição à França. Sua luta o fez ser linchado, perseguido e até sofrendo ameaças de morte, além de punido pela Alta Corte francesa somente safando-se quando, ao fugir para Inglaterra, de lá conseguiu mudar o rumo do caso até a libertação do oficial Dreyfus e sua reintegração na tropa como General.

    O CASO ZÉ DIRCEU

    De fato, o enredo do caso francês é bem diferenciado da situação vivida pelo advogado José Dirceu, sempre no alvo da Grande Midia por ter construído ao longo de sua história a condição do mais preparado quadro socialista brasileiro, a partir do Partido dos Trabalhadores.

    José Dirceu sofre uma perseguição “quase mortal” – se bem que, do ponto-de-vista da reputação seja tratado como marginal por força da manipulação e esteriótipo criado pela Midia, quando na verdade vive a condição de agente político punido sem uma única prova, submetendo-se ao linchamento moral e à covardia de seus pares em não defendê-lo abertamente de um crime (Mensalão) que não cometera.

    Diferentemente do caso francês, ainda haverá que se aguardar mais tempo para revisão punitiva a Dirceu, da mesma forma que, quando reconquistar a liberdade plena, sairá pelas ruas como fez Émile Zola para provar à sociedade brasileira de que é inocente.

    ÚLTIMA

    “O olho que existe/ é o que vê...”
     



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