Brasil

CPI: Mandetta diz que ordem para usar cloroquina não partiu do Ministério da Saúde

Em depoimento na CPI da Covid no Senado, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a ordem referente ao uso de hidroxicloroquina no tratamento precoce contra a Covid-19 não partiu da pasta. Sobre o uso do medicamento, ele disse que prescrevê-lo seria contra o juramento de Hipócrates por conta da série de reações adversas que ele causa.

“Do Ministério da Saúde nunca houve recomendação que não fosse da cartilha da Organização Mundial da Saúde”, destacou.

Ele revelou ainda que, no dia 28 de março, entregou uma carta a Jair Bolsonaro levantando pontos técnicos sobre o enfrentamento da pandemia e contrária ao “isolamento vertical”. A leitura do documento, que foi entregue à CPI, foi impedida pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL).

O ex-ministro disse que a carta para o presidente continha modelos de previsão de mortes até o fim de 2020, com 30 mil em caso de “disciplina oriental” a 180 mil com medidas ineficazes (foram 195 mil). Ele disse ainda que Bolsonaro dizia ter outras fontes, mas não citou nomes.

O ex-ministro procurou se defender das críticas de que a pasta apenas recomendou que infectados pela Covid-19 fossem ao hospital após apresentarem sintomas severos, apontando uma suposta de “guerra de narrativas”.

“É uma guerra de narrativa. Orientações foram para dar entrada pelo sistema de saúde. Transmissão comunitária só foi verificada em 24/3. Em janeiro e fevereiro havia um caso no país, e pessoas em pânico”, disse Mandetta.

Questionado sobre a sua saída do cargo, ele disse que “nunca pediria exoneração do cargo, mas Jair Bolsonaro achou melhor um outro ministro, com melhor afinidade em suas ações”. “No entanto, eu não poderia negociar a minha formação”, acrescentou.

Para a tarde desta terça-feira (4), está marcado o depoimento de outro ex-ministro da Saúde, Nelson Teich.


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