Brasil

Dilma muda estratégia e mira em Aécio

Reta Final

03/10/2014


A recuperação de Aécio Neves (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto levou Dilma Rousseff (PT) a privilegiar o tucano em seus ataques durante o debate na TV Globo desta quinta-feira (2), em detrimento de Marina Silva (PSB). Alvo prioritário até então, a pessebista não chegou a ser alvo de perguntas da petista.

Pesquisa Datafolha feita em 1º e 2 de outubro mostra que a diferença entre Aécio e Marina, que chegou a ser de 20 pontos, está em três pontos – ele com 21% e ela com 24% -, o que configura empate técnico. Dilma tem 40%. A mudança de postura da presidente reavivou a polarização PT e PSDB que dominou eleições anteriores, mas havia ficado em segundo plano neste ano em razão da ascensão da candidata do PSB.

O primeiro tema escolhido pela petista para atacar diretamente o tucano, inclusive, foi a privatização – uma arma historicamente presente nas campanhas do PT contra o PSDB.

No início do segundo bloco, Dilma retomou a discussão, ocorrida durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) sobre a venda da Petrobras e afirmou achar estranho que Aécio trate "privatizações com tanta leveza."

A presidente voltou a questionar o tucano no terceiro bloco, perguntando qual a opinião dele sobre o programa Minha Casa, Minha Vida – uma das marcas do governo do PT. A questão serviu de pretexto para que a petista e o tucano discustissem a paternidade de programas sociais, como o Bolsa Família, e qual governo combateu melhor a inflação.

Contra Marina, Dillma manteve a estratégia de criticar a proposta, incluída no programa do PSB, de estabelecer a autonomia formal do Banco Central – o que impediria a intervenção do governo no comando da autoridade monetária -, como fez ao longo da campanha. "O que está escrito em seu programa é a independência do Banco Central", disse Dilma em resposta a questionamento de Marina sobre o tema. "Independência do Banco Central é dar um quarto poder para os bancos."

Dilma também contra-acatou Marina sobre corrupção. "Vamos colocar as coisas, os pingos nos is. O seu diretor, nomeado por você, de fiscalização do Ibama [subordinado ao Ministério do Meio Ambiente, que foi comandado pela candidata do PSB], foi afastado no meu governo por crime de desvio de recursos e eu nao sai por aí dizendo que você tenha acobertado a corrupção", disse Dilma.

Ao fim do debate, Dilma negou que tenha privilegiado ataques a Aécio. "Não priorizei nenhum candidato. Eu fiz as perguntas porque as pessoas vão sendo definidas, ao longo do debate", afirmou Dilma em coletiva de imprensa.

Corrupção é principal arma de adversários

A corrupção continuou a ser a principal arma dos adversários contra Dilma e, dentro do tema, ênfase foi dada à demissão do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato, que investiga lavagem de dinheiro de recursos oriundos de corrupção da estatal.

No debate anterior, realizado pela TV Record em 29 de setembro, a petista havia tentado usar a demissão e a prisão de Costa como provas de que seu governo tem combatido a corrupção. Marina e Aécio, entretanto, bateram na tecla de que as atas da estatal provam que o ex-diretor é quem deixou o cargo.

Dilma argumentou ser prática comum no serviço público que, quando é demitido, um servidor peça para sair. A presidente também prometeu implementar novas medidas para combater a corrupção, como tornar a prática de caixa 2 crime eleitoral e criminalizar todas as ações de servidores que resultem em enriquecimento ilícito.

 

(Do iG)


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