Nordeste

Estudantes e técnicos da Ufersa protestam contra nomeação feita por Bolsonaro da nova reitora

Ludimilla Oliveira foi a terceira colocada na consulta feita à comunidade acadêmica no mês de julho

31/08/2020


Durante ato, manifestantes ocuparam prédio da reitoria da Ufersa — Foto: Isaiana Santos

G1 - RN

Alunos da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) realizaram na manhã desta segunda-feira (31) um protesto contra a nomeação da nova reitora da Universidade, Ludimilla Oliveira. Ela foi a terceira colocada da lista tríplice encaminhada ao Ministério da Educação. Ela ficará à frente da Universidade por 4 anos.

O anúncio da nomeação foi feito durante a visita do presidente da República, Jair Bolsonaro a Mossoró no dia 21 de agosto de 2020, mas ela começou a exercer a função nesta segunda.

O ato organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e com o apoio do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior (Sintest/RN). Os manifestantes se concentraram em frente a Ufersa e chegaram a bloquear um trecho da BR-110 por alguns minutos. Eles usaram faixas pedindo a saída da nova reitora.

Os manifestantes também entraram no prédio da Reitoria gritando palavras de ordem. Segundo os organizadores, cerca de 100 pessoas participaram do ato.

“O objetivo desse ato é lutar contra essa intervenção que vem acontecendo na nossa universidade e contra todo projeto que ela representa. A a gente tá aqui fazendo resistência e queremos reverter essa intervenção. Queremos a posse do nosso reitor eleito”, afirmou a presidente do DCE, Ana Flávia Lira.

O Sintest afirmou que a categoria também é contra a nomeação da reitora. “A comunidade acadêmica não concorda (com a nomeação). É a voz da comunidade acadêmica, uma vez que ela não foi eleita democraticamente. A categoria dos técnicos veio reafirmar que essa pessoa nomeada não nos representa enquanto reitora”, disse Kaliane Morais, coordenadora do Sintest.

A reitora nomeada, Ludimilla Oliveira, afirmou que passou pelo processo para constituição de uma lista tríplice e que coube à Presidência a escolha do nome entre os três relacionados. “Não somos interventores, pois passamos por um processo legal de escolha. E estar na terceira colocação da lista não significa, em tese, que foi um golpe. Eu passei por um processo legítimo, por um processo legal. Nós respeitamos as manifestações, mas as pessoas não estão querendo aceitar a legitimidade e a legalidade da escolha”, defendeu Ludimilla.

Ludimilla Oliveira foi a terceira colocada na consulta feita à comunidade, em junho. Ela teve 18,33% dos votos. Rodrigo Codes (37,55%) e Jean Berg (24,84%) ficaram à frente. A lista tríplice da Ufersa foi encaminhada ao Ministério da Educação e à presidência da república, que optaram pelo nome de Ludmilla.

Rodrigo Codes, professor que teve maioria dos votos, também participou do ato. “Esse ato é uma proposta de uma aula pública pra que a gente mostre à sociedade o que está acontecendo. Nós não podemos naturalizar o que está ocorrendo. De 4 em 4 anos nós temos propostas que são discutidas através de uma discussão ampla, que é muito saudável pra universidade. As nossas propostas foram as escolhidas pelo voto, pelas 3 categorias, docentes, técnicos e discentes”, afirmou o professor.


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