Internacional

EUA não têm direito de pedir retorno de sanções da ONU contra Irã, diz China

22/08/2020


Beijing,  (Xinhua) — Os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Plano de Ação Abrangente Conjunto (JCPOA) e não têm o direito de exigir que o Conselho de Segurança das Nações Unidas lance o mecanismo de retorno para restaurar as sanções contra o Irã, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês nesta sexta-feira.

Observando que os Estados Unidos não são mais participantes do JCPOA, o porta-voz Zhao Lijian disse em uma coletiva de imprensa que os participantes do JCPOA e a grande maioria dos membros do Conselho de Segurança acreditam que, o pedido dos EUA não tem base legal, e o mecanismo ainda não foi ativado.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, notificou oficialmente na quinta-feira a ONU de que os Estados Unidos estavam pedindo para ativar o mecanismo de retorno, endossado pela resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU. Ele afirmou que o Conselho de Segurança restaurará todas as sanções da ONU sobre o Irã em 30 dias.

A China observou a carta enviada pelos Estados Unidos e a Missão Permanente da China à ONU já declarou a posição da China, disse o porta-voz, acrescentando que os participantes pertinentes, incluindo China, Rússia, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Irã, enviaram cartas ao presidente do Conselho de Segurança. Os ministros das Relações Exteriores britânico, francês e alemão também emitiram uma declaração para expressar a oposição ao movimento dos EUA.

“A exigência dos EUA de reimpor as sanções das Nações Unidas contra o Irã não passa de uma manipulação política egoísta”, disse o porta-voz.

Os Estados Unidos abandonaram os compromissos, retiraram-se de organizações e tratados internacionais, prejudicaram o multilateralismo e a autoridade do Conselho de Segurança e minaram o regime internacional de não proliferação. O movimento deles para buscar uma resolução ou enviar uma carta ao Conselho de Segurança não pode justificar seus comportamentos acima mencionados, disse ele.

O porta-voz observou que, em 14 de agosto, um projeto de resolução patrocinado pelos EUA para estender o embargo de armas contra o Irã foi colocado em votação no Conselho de Segurança, e foi vetado inequivocamente por 13 membros, com apenas um membro votando a favor, deixando os Estados Unidos isolados como nunca antes.

“Isso demonstra plenamente que a posição unilateral dos EUA vai contra o amplo consenso da comunidade internacional e sua tentativa de sabotar o JCPOA nunca terá sucesso. Exortamos os Estados Unidos a pararem de seguir o caminho errado, caso contrário, só encontrarão mais oposição”, disse Zhao.

É preciso diálogo igualitário e consultas francas em vez de sanções, pressão ou mesmo ameaça militar, para resolver a questão nuclear iraniana, disse o porta-voz.

Para defender o JCPOA e a autoridade da resolução do Conselho de Segurança da ONU, manter o regime internacional de não proliferação e salvaguardar a paz e a estabilidade regionais, a China está pronta para trabalhar com outras partes para encontrar uma solução adequada e avançar na solução política e diplomática da questão nuclear iraniana, acrescentou.


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