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Brasil

25/09/2014


17ª Análise CEPLAN aponta desaceleração no crescimento do consumo

Economia

O estudo da CEPLAN Consultoria Econômica e Planejamento, apresentado à imprensa, nesta quarta (24), no Recife, revelou que o crescimento do consumo das famílias brasileiras vem sofrendo uma desaceleração. Em 2010, o consumo cresceu 6,9% em relação ao ano anterior mas, a partir daí, as médias anuais foram caindo até chegar a 2,6% em 2013. No primeiro semestre deste ano a elevação foi ainda menor, ficando em 2,2% de janeiro a março e, em 1,2%, de abril a junho.
Os motivos mais prováveis são o endividamento, a inflação, juros mais altos e crédito mais rígido, reduzindo as possibilidades de compras.

Os incentivos à compra de imóveis resultaram num endividamento imobiliário que atingiu 16% da massa salarial e não dá sinais de retração, enquanto o endividamento geral estabilizou-se em 46% e o comprometimento da renda com os encargos da dívida ficou em torno de 21% – percentual considerado baixo em relação a países desenvolvidos.

A 17ª Análise CEPLAN revela ainda que a inflação e o consumo apresentam tendências opostas. “Os resultados para o consumo não foram piores graças à redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) realizada, pelo governo federal a partir de 2008”, avalia o economista e sócio-diretor da Ceplan, Jorge Jatobá. Já a oferta de crédito recuou especialmente no setor de veículos que passou para índices negativos em 2013 e, em junho passado, ficou em -6,9%. Paralelamente, as taxas de inadimplência da pessoa física vêm declinando na última década no Nordeste e em Pernambuco que, em julho passado, registraram 5,2% e 5,9%, respectivamente. Mas há um discreto repique em 2014.

A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE, mostra que no Brasil a maior parte da renda vai para habitação, alimentação e transporte. Em Pernambuco, 71% do orçamento são destinados a estas despesas. Enquanto isso, no país, 35,9% dos rendimentos das famílias vão para moradia e no Nordeste, 24,2% para a alimentação.

Focando em Pernambuco, a 17ª Análise CEPLAN registra uma tendência de queda na taxa de crescimento das vendas do comércio varejista ampliado – que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção – que cresce a taxas mais tímidas no Brasil do que em Pernambuco. Os últimos resultados revelam evolução nacional de 1,1% e de 4,3% no Estado, no acumulado dos últimos doze meses até julho de 2014. O segmento de alimentos, bebidas e fumo cresceu 1,2% no acumulado dos últimos doze meses até julho. Já em relação às vendas de móveis e eletrodomésticos, o Estado cresce mais que o resto do país com índices de 11,0% e de 3,9%, respectivamente. No segmento de veículos, que sofreu uma acentuada desaceleração no ritmo de vendas, a variação para o país chegou a ser negativa (-5,2%) enquanto a estadual ficou em -1,5%.

O estudo também demonstra que o crescimento dos investimentos, identificado pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) ou a aquisição de máquinas e equipamentos, e construção para produção de bens e serviços, no Brasil é instável. Em 2009 a crise financeira internacional trouxe uma queda de 6,7% na FBCF. Em 2010 ela cresceu 21,3%, despencando em 2011 para 4,7% e para um resultado negativo de -4,0% no ano seguinte.
Em 2013, a FBCF mostrou recuperação e cresceu 5,2%. O mesmo não deve acontecer este ano. No primeiro trimestre os investimentos caíram 2,1% e no segundo, 11,2% em relação aos mesmos períodos do ano passado.

A ponta do novelo

O consumo das famílias é apenas um dos indicadores que influenciam na desaceleração da economia brasileira. Se no primeiro semestre de 2010 ele registrou um crescimento de 7,3%, no primeiro semestre de 2014, cresceu somente 1,7%. No mesmo período, um dado ainda mais preocupante: a FBCF passou de um aumento de 28,5% para uma queda de -6,8%. Neste cenário, sobressaíram-se o consumo da administração pública, com alta de 2,1% no semestre passado, e a exportação de bens e serviços, que cresceu 2,3%.

O quadro fica ainda mais difícil com a inflação no teto da meta, em 6,5%, elevando os juros, refletidos numa Taxa Selic de 11% ao ano. A avaliação da conjuntura aponta para um discreto saldo positivo entre as exportações e as importações de apenas US$ 5 bilhões até julho de 2014. “O saldo ainda repercute, em parte, a crise de 2008, mas também teve a contribuição de um câmbio sobrevalorizado, dos problemas com parceiros importantes do Mercosul e do pouco alcance da política de comércio exterior”, analisa Jatobá.

Quando voltamos o olhar para o Nordeste, no segundo trimestre do ano, observamos uma evolução bem melhor da economia regional em relação ao Brasil nos três principais Estados: Ceará (3%); Pernambuco (1,9%) e Bahia (1,6%), enquanto o país ficou com -0,9%.

Na produção industrial, no acumulado de janeiro a julho de 2014, Pernambuco foi o único dos três Estados com crescimento positivo (2,6%), deixando para trás o Nordeste (-0,5%); o Brasil (-2,8%), a Bahia (-5,0%) e o Ceará (-1,5%). Nos Estados do Nordeste, os resultados para o comércio varejista ampliado no primeiro semestre de 2014, em confronto com o primeiro semestre de 2013, foram positivos, contrastando com a taxa negativa nacional de -0,6%. O maior índice foi o de Alagoas, com 5,3% de aumento sobre o mesmo período do ano anterior, seguido pelo Ceará, com 5%. Pernambuco ficou em 2,7%. No mesmo período, o crescimento real da arrecadação de ICMS na Bahia e no Ceará foi de 4,2%, com a Paraíba liderando o ranking regional com 6,8%.

Em relação ao mercado de trabalho, a Região Metropolitana do Recife (RMR) apresentou taxas maiores de desemprego aberto de março a junho, em relação ao mesmo período do ano anterior. No estoque de emprego formal em julho, o Nordeste registrou 3,3% de aumento em comparação com o mesmo mês de 2013. O índice foi acima do brasileiro, de 2,3%, e do pernambucano, de 3%. Neste mesmo intervalo, Piauí e Paraíba lideraram a expansão com 6,1% e 5,7%, respectivamente. No estoque de empregos formais gerados em Pernambuco, a administração pública liderou o crescimento com 6,4%, enquanto a construção civil teve a maior retração, -8,4%. “Reflexo da desmobilização da mão-de-obra dos grandes projetos queestão sendo construídos em Suape, como a Refinaria Abreu e Lima”, afirma a economista e sócia-diretora da CEPLAN, Tania Bacelar.

Perspectivas

Na conclusão, a 17ª. Análise CEPLAN reúne índices e avalia tendências que traçam perspectivas pouco animadoras para a economia brasileira. O Boletim Focus, emitido pelo Banco Central, aponta queda na produção industrial de -1,94% para o ano de 2014, acompanhada por um aumento do PIB de 0,30%. Para Pernambuco, as perspectivas da Agência Condepe/Fidem, vinculada ao Governo do Estado, preveem PIB de 3,5% a 4% em 2014, apoiado na recuperação de safra e bom desempenho nos segmentos de transporte, armazenagem e correios. 

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