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Geral

15/12/2014


52% dos presos não concluíram o ensino fundamental

CEARÁ

Entre os 12.040 detentos que cumpriam pena nas casas de detenção do Estado, no período de abril de 2013 e abril de 2014, 52,5% não possuíam sequer o ensino fundamental completo. Foi o que revelou o I Censo Penitenciário do Ceará, lançado na manhã de ontem. A publicação, de 143 páginas, apresenta um retrato do preso médio cearense. A pesquisa também revelou que 10,3% dos presos no período eram analfabetos.

Conforme O POVO adiantou na edição de ontem, o censo foi produzido em parceria entre a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) e a Universidade Federal do Ceará (UFC). Segundo a pesquisa, que ouviu 95% dos detentos do Estado à época, apenas 7,6% deles conseguiram terminar o ensino médio.

Para a secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo, as informações comprovam que a falta de escolaridade leva à criminalidade, o que reforça a necessidade de utilização do censo na formatação de políticas públicas de inclusão social, controle e prevenção da violência.


Presos provisórios

O presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do (CNPCP), Luiz Antônio Silva Bressane, participou da cerimônia, realizada durante a manhã na Reitoria da UFC, no Benfica. Ele criticou o alto índice de presos provisórios do Ceará. Segundo o censo, entre o total de presos, 49,1% (5.912 pessoas) aguardam julgamento nas casas de detenção.

“Hoje em dia, o Estado sequer decide sobre a culpa dos detentos e já os encarcera. É fundamental para o País que conheçamos o funcionamento do nosso cárcere”, destacou. Entre os que cumprem pena no Estado, 42% são condenados. Já os que cumprem regime semi-aberto são 5,2%, um total de 627 pessoas.

Outro dado de destaque revelado pela pesquisa é que 45,3% dos detentos fizeram uso de maconha antes de ingressar no sistema prisional. Já 17,9% consumiram cocaína e 17,8% fizeram uso de crack na vida pregressa. Entre as drogas consideradas lícitas, o consumo de cigarro foi de 42,9%. Outros 36,6% afirmaram que consumiram álcool antes de terem sido presos.

Para a pró-reitora de Extensão da UFC, Márcia Machado, é importante que o cenário de drogadição e baixo nível de escolaridade dos presos chegue ao conhecimento da população cearense. Segundo ela, o problema pode ser amenizado com a colaboração da universidade, que participou ativamente da elaboração do censo.

Cerca de 40 pessoas se revezaram no trabalho de arguição aos detentos, feito um a um, por professores, pesquisadores e alunos. “Cabe à universidade esse papel de teorizar e dialogar na busca de elementos para apontar políticas públicas que ajudem a diminuir o problema da violência em nosso Estado”, afirmou.

 (Do O Povo Online)

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