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Maranhão

24/04/2015


86 pessoas constam como desaparecidas no Maranhão somente este ano

A técnica em enfermagem, Wilna de Paula Costa, de 29 anos, que foi encontrada morta na última terça-feira, 21, após passar cinco dias desaparecida, está incluída na estatística de pessoas desaparecidas na região metropolitana de São Luís. De acordo com os dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA), Wilna é a 86ª pessoa que teve o desaparecimento registrado no Centro Integrado de Polícia e Segurança (CIOPS).

Mesmo altos, os dados do COPS indicam uma queda nas ocorrências de pessoas desaparecidas nos quatro municípios que integram a Grande Ilha, se comparado com os três primeiros meses do ano passado. Segundo os números do Centro, em 2014, foram 101 registros de desaparecimentos apenas nos 90 primeiros dias do ano, somando 430 nos 12 meses do ano.

No auxílio à polícia na solução dos casos de desaparecimento de pessoas no estado, o serviço de Disque Denúncia, trabalha com a propagação de informações sobre o desparecido. De acordo com o coordenador do serviço no Maranhão, Erik Moraes, a contribuição do Disque Denúncia possibilita que a população também faça sua parte na difícil tarefa de encontrar pessoas.

O coordenador explica que através do programa de direitos humanos do órgão, chamado ‘Desaparecidos’, o Disque Denúncia auxilia a polícia e as famílias a encontrar pessoas desaparecidas. De acordo com ele, após receber a denúncia de que alguém está desaparecido, é confeccionado um cartaz com a foto e as informações da pessoa, que é espalhado nos meios de comunicação, órgãos parceiros e nas redes sociais do órgão.

“O que mais aflige a família nesse momento é a falta de informação. E não só a família, mas também a polícia, que às vezes não tem nem foto da pessoa. Nós então prestamos um serviço de apoio à polícia e à sociedade nesse momento de pura aflição. Como não temos um policial em cada esquina, mas normalmente temos pessoas em todo lugar, fazemos com que essas pessoas sejam os olhos da polícia e ajude a localizar quem está desaparecido, a partir dos cartazes que confeccionamos e espalhamos por todos os lugares”, comenta.

Segundo o Fórum Nacional de Juventude Negra/Maranhão (Fonajune/MA), o estado também é destaque negativo em relação ao número de jovens negros desaparecidos. Os dados do Fonajune mostram que apenas nos dois primeiros meses do ano de 2015, na lista das pessoas desaparecidas, estavam 12 jovens negros.

"O Maranhão tem um assustador número de jovens negros desaparecidos. Isso tudo ainda é resquício de um modelo de segurança pública que por muitos anos tem tratado os jovens apenas como números e não como pessoas. É preocupante porque olhando para os números de jovens negros desaparecidos apenas nos primeiros meses do ano, pode-se perceber que esse índice pode vir a aumentar se não for feita uma intervenção urgente, principalmente, nas abordagens policiais, que muitas vezes são os responsáveis pelo sumiço e morte de muitos desses jovens”, denuncia o coordenador do Foanjune/MA, Milson Oniletó. 

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