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Brasil

20/03/2014


A Mudança na cultura da Páscoa

Na Nova Edição

Desde que os bispos do Concílio Geral de Nicéia, em 325 d.C, definiram a Páscoa para ser comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera, os cristãos comemoram a ressurreição de Cristo. Em uma semana santa, que vai de uma quinta-feira até o domingo, católicos do mundo todo lembram o redentor, que em tão pouco tempo experimentou da dor carnal à libertação do espírito. Mas, do fim da Idade Média até aqui, o mundo mudou, valores foram esquecidos e sentidos foram recriados. Em mais de 20 séculos, a humanidade conseguiu fazer conexões entre ovos de chocolate, coelhos e uma ressurreição. Além disso, costumes cristãos, modos de lembrar a dor de Jesus e de comemorar seu renascimento não são mais os mesmos.

O Ciclo Pascal, em vários segmentos do cristianismo, compreende tempos de preparação, celebração e prolongamento. A Quaresma, que acontece da quarta-feira de cinzas até a missa vespertina da quinta-feira santa, faz parte do período de preparação. Esse período de 40 dias é tempo de resignação. De acordo com o Código de Direito Canônico da Igreja Católica, os fiéis, nesse período, devem entrar em estado de oração, exercitarem a caridade e se abnegarem a prazeres mundanos. A abstinência e o jejum fazem parte desta lista de renúncias. Em respeito à morte de Cristo, o luto era levado a sério pelos fiéis, principalmente por famílias tradicionais do interior. Usar maquiagem, perfume, tomar banho, escutar música, cantar, dançar, não eram atividades que faziam parte da Páscoa. 

Toda Semana Santa Flávio Nascimento, de 56 anos, lembra as tradições que seguia quando ainda era criança. Criado no interior do Ceará por uma família rica da cidade de Pitombeiras, ele conta que as pessoas, nessa época, realmente se resguardavam. “Fui criado com a família Firmino Bernardo, família rica e tradicional. Nessa época de Páscoa era muito rígido. As pessoas no dia da Sexta-feira Santa não podiam tomar banho, não podiam falar alto com os outros, não podiam ouvir música nem dançar. Imagina? E era uma tradição que o pessoal honrava mesmo. Era obrigado jejuar e as mulheres nem lavavam o cabelo”, lembra.

Atualmente, na ceia simples que Flávio realiza com a esposa e filha, só resta a memória de algumas esquisitices. “Não podia nem rir”, lembra ele rindo. Comparando as tradições de antigamente com as da atualidade, o cearense faz uma crítica. “Hoje quando se fala de Semana Santa só lembram de ovo de páscoa e coelhinho. A páscoa agora significa comércio”.
 

(Leia mais na Edição n° 88 da Revista Nordeste já nas bancas de todo país)

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