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Brasil

18/12/2015


“A perspectiva de impeachment é pequena”, afirma Levy

O ministro da Fazenda Joaquim Levy diz acreditar que as perspectivas de impedimento da presidente Dilma Rousseff são pequenas. Em café da manhã com jornalistas realizado na sede do ministério da Fazenda em Brasília, Levy embasou sua opinião na ideia de que as pessoas não querem mais incerteza. Levy evitou por diversas vezes responder de forma objetiva sobre sua permanência a frente do ministério no próximo ano, contradizendo seu discurso quanto à necessidade de diminuir as incertezas.

“Acho que é importante a gente diminuir a incerteza. Acho que as indicações de Brasília tem de ser indicações de mais tranquilidade, que mostrem rumo. A gente superando a incerteza política, acho que nossa economia vai reagir muito bem. E acho, ousaria dizer, que a perspectiva de impeachment ela é pequena porque as pessoas não querem mais incerteza”, afirmou Levy.

O ministro cobrou uma postura mais assertiva do governo para sinalizar de forma mais clara os rumos da economia nos próximos três anos para ajudar no processo de superação da crise política. “Em particular, na medida em que o governo puder articular e apontar rumos ainda com mais clareza sobre o que a gente espera nos próximos três anos é óbvio que a incerteza política vai tender a diminuir e com isso facilitar a recuperação da economia”, disse ele.

Alvo de críticas do PT e de movimentos sociais tradicionalmente ligados ao partido da presidente Dilma por ser um agente do capital financeiro responsável por promover um ajuste fiscal nos moldes do que interessaria somente ao mercado, ironicamente Levy fez uma crítica ao Congresso Nacional cobrando um ajuste fiscal que promovesse “justiça social”.

“Não diria que me sinto traído, mas me sinto um pouco decepcionado porque as principais medidas de aumento da justiça tributária, da progressividade do imposto de renda, não tenham tido pleno curso. E alguns ajustes”, declarou Levy. “A questão dos ganhos de capital. Acho que haveria justiça se o lucro de quando você vende, por exemplo se você vende uma fazenda por R$ 2 milhões, ser tributado com uma alíquota um pouco maior do que alguém que ganha R$ 100 mil quando vende um apartamento. Isso infelizmente não foi aprovado”.

“Eu diria um pouquinho a minha decepção porque essa melhora da própria justiça dos impostos, o próprio repartir o esforço fiscal entre as diferentes camadas de renda não tenha podido acontecer ou não tenha visto nenhum partido ter realmente se agarrado para promover isso. Porque além de ser uma questão de justiça social, todas as medidas nesta área são medidas que melhoram a eficiência econômica também. É uma sinalização positiva para a economia”, disse o ministro.

Sobre sua permanência no cargo, Levy foi evasivo e mesclou piadas com contemporizações para evitar uma resposta direta sobre o tema. “Espero continuar confortável sobre tudo que fiz”, foi uma das várias evasivas. Embora não falei sobre sua saída de forma satisfatória, ele falou sobre sua relação com a presidente Dilma.

“Acho que tivemos um relacionamento respeitoso. Conseguimos desenvolver iniciativas. Obviamente teve coisas que não puderam ter seu curso total por razões ou restrições de natureza política, alguma coisa assim. A gente desenvolveu, propôs esse novo marco de contratação de projetos para criar um ambiente nessa era pós-Lava Jato e tivemos total autonomia para fazer isso”, declarou ele.

IG

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