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Brasil

15/01/2016


“A questão mais importante para o país é a Previdência”, afirma Dilma

A presidente Dilma Rousseff destacou a situação da Previdência como o assunto que mais preocupa o governo atualmente, além do desemprego, durante café da manhã com jornalistas de agências estrangeiras e de veículos online no Palácio do Planalto, no qual o jornalista Paulo Moreira Leite, do 247, esteve presente. Segundo ela, a reforma da Previdência deve ser estudada de forma técnica e política. "Acho que a questão mais importante para o país é a Previdência", disse a presidente.

Dilma alertou, no entanto, sobre as tentativas de impeachment da oposição, que "isso não quer dizer que tentativas golpistas não sejam importantes". "O impeachment tem uma repercussão política, o que significa [pôr em xeque] a estabilidade democrática do país", avaliou. Ela lembrou ainda que não se pode achar, no Brasil, que se pode afastar um presidente da República porque não se está simpatizando com ele. Isso não vale no presidencialismo, ressaltou.

Em relação à Previdência, Dilma citou duas alternativas para lidar com o déficit no sistema: o aumento da idade mínima para aposentadoria e a continuidade da fórmula 85/95 – soma do tempo de contribuição e idade até atingir 85, para as mulheres, e 95 para os homens. Na prática, a fórmula 85/95 permite que os trabalhadores se aposentem mais cedo do que pelo cálculo do fator previdenciário.

A presidente destacou que todos os países que tiveram a reforma da Previdência passaram por mudança na idade mínima para a aposentadoria. Dilma sinalizou que começará uma discussão que certamente não deve terminar até o final de seu governo. A presidente deixou claro que é a favor de mudanças graduais, não para 'amanhã', lembrando o quanto elas são importantes para as futuras gerações.

Questionada sobre os vazamentos que atingem integrantes de seu governo, como recentemente o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, Dilma respondeu ser difícil comentar depoimentos em que não se sabe exatamente quem está falando e se realmente falou o que foi divulgado. Mas assegurou que responderia qualquer coisa que perguntassem sobre ela. E que enviaria até mesmo datas de reuniões do Conselho da Petrobras, caso necessário.

Ao falar sobre as recentes manifestações contra o aumento da passagem em São Paulo, reprimidas por ações truculentas da Polícia Militar comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), Dilma resgatou um discurso já feito em 2013, durante os protestos que tomaram todo o País. "Não há nada de anormal nas manifestações, elas fazem parte da normalidade, temos que aprender a conviver com elas", disse, destacando a importância da democracia.

Sobre possíveis medidas a serem adotadas para o aumento do crédito no País, Dilma explicou que os bancos estatais ficaram com grande liquidez após o governo quitar as chamadas 'pedaladas fiscais' até o dia 31 de dezembro de 2015. E disse não ver contradição entre aumento de crédito e a atual política monetária. Segundo ela, a importância do equilíbrio fiscal está ligada à retomada do crescimento econômico.

As medidas de crédito seriam uma ação "para sair da crise". "Nós não vamos voltar aos subsídios da proporção de antes", explicou Dilma, "mas é errado que muitas pessoas achem que a atual taxa de juros é subsídio, não é". A presidente afirmou que o Banco Central tem autonomia para tomar suas decisões, mas que não é independente.

Ainda sobre as pedaladas, afirmou que "o governo não acha que errou". E exemplificou, em referência à reprovação das contas do governo de 2014 pelo Tribunal de Contas da União, por conta das 'pedaladas'. "Você não pode ser multado por não usar cinto de segurança se não há lei que determine o uso do cinto de segurança".

Questionada se haveria leilões do pré-sal com o preço do barril do petróleo a 30 dólares, Dilma respondeu, bem-humorada, que "isso só faz quem quer dar um presente". "Mesmo a 30 dólares, o nosso pré-sal é viável. A Petrobras é uma empresa imensa, com ganhos e perdas em várias áreas, e o pré-sal já está dando 800 mil barris/dia", afirmou. A presidente acrescentou, no entanto, que não descarta a capitalização da petroleira se o petróleo continuar caindo. Após sua declaração, as ações da estatal acentuaram perdas na Bovespa.

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