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Esporte

29/05/2015


“Ação do FBI na Fifa foi geopolítica e imperialista”, diz americano

A operação deflagrada nesta semana pelos Estados Unidos contra a corrupção na Fifa, que levou à prisão 14 figurões do futebol mundial, não foi exclusivamente para coibir práticas criminosas em seu território ou moralizar os negócios por trás do esporte. O objetivo principal é geopolítico.

Quem defende o argumento é o advogado americano John Shulman, professor convidado da Fundação Dom Cabral, especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard.

"Com essa ação, os EUA enviam dois recados. Para o mundo, o de que o nosso sistema legal pode te pegar se você estiver fazendo algo errado. Internamente, mostramos que tomamos a iniciativa de resolver a corrupção dos outros", diz o professor. "Há empresas nos EUA muito mais corruptas do que a FIFA, pode ter certeza", garantiu.

Para o professor, há vários pontos obscuros no envolvimento americano nas investigações. "A logística de uma operação internacional deste porte simplesmente não vale a pena. Até porque não há um número de vítimas nos EUA que justifiquem tamanha mobilização", argumenta.

"Para mim, trata-se claramente do seguinte: são os EUA mobilizando seu aparato legal interno em prol de questões geopolíticas. No caso, para colocar pressão na Rússia (sede da Copa de 2018), com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar (sede da Copa de 2022), onde também existem questões geopolíticas".

John cita ainda a chance para os EUA desestruturarem uma organização que, corrupta ou não, tem tentáculos de poder que fogem ao seu alcance. "A ONU está presente em vários países, mas os EUA têm poder sobre ela. Isso não acontece com a FIFA, o que causa uma ruptura da hegemonia americana". "É claro que a FIFA é corrupta. Todo mundo sabe disso. Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol", completa John.

Brasil 247 

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