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Economia

22/01/2016


Ações da Petrobras sobem mais de 6% com disparada do Petróleo

O Ibovespa acelera alta nesta sexta-feira (22) acompanhando as bolsas europeias e os índices Dow Jones e S&P 500, que disparam lá fora. O mercado reage impulsionado pelas sinalizações do BCE (Banco Central Europeu) sobre novos estímulos e recupera-se após semanas de fortes quedas. Por aqui, tem impacto a divulgação do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que veio em linha com o esperado. Os investidores também devem ficar de olho no petróleo, que dispara mais de 6% em meio a atentado terrorista na Líbia, estoques de petróleo e avaliação de alguns investidores de que a commodity já caiu muito.

Às 12h42 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 1,66%, a 38.343 pontos. Já o dólar comercial tem queda de 1,08% a R$ 4,1204, enquanto o dólar futuro para fevereiro recua 0,93% a R$ 4,133. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 6 pontos-base a 14,84%, enquanto o DI para janeiro de 2021 registra perdas de 17 pontos-base a 16,62%.

Ontem, o presidente do BCE, Mario Draghi, indicou que a autoridade monetária pode adotar mais estímulos ainda em março. Draghi disse também que o BCE tem muitos instrumentos para combater deflação. "Conforme começávamos o novo ano, os riscos aumentaram novamente em meio ao aumento da incertezas sobre as perspectivas de crescimento das economias dos mercados emergentes, da volatilidade dos mercados financeiros e decommodities e dos riscos geopolíticos", afirma.

Petróleo

O petróleo WTI (West Texas Intermediate) tem 2º dia de alta e volta aos US$ 31 com quedas recentes atraindo compradores, enquanto os metais avançam em Londres. O WTI sobe 6,87%, a US$ 31,56 o barril e o brent sobe 6,71%, a US$ 31,79 o barril. A Reuters destaca que a queda recente, além das indicações de que o tempo frio nos EUA e na Europa devem aumentar a demanda, contribuem para a recuperação dos preços da commodity.

Além disso, faz preço o incêndio em um terminal de petróleo na Líbia, resultado de um ataque realizado por militantes do Estado Islâmico, que foi o principal influenciador de investidores, superando os dados de estoque nos Estados de petróleo e gasolina no último pregão. Ontem, os estoques subiram em 4 milhões, contra 2,8 milhões esperados, mas foram menores do que os dados anteriores divulgados pela agência americana de petróleo, que mostrava um aumento de 4,6 milhões.

Ações

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,67, +6,04%; PETR4, R$ 4,69, +4,22%) disparam seguindo a alta do petróleo. Além disso, em resposta às perguntas feitas pela Bloomberg na noite de ontem, a estatal disse que a produção da plataforma P-31 segue interrompida temporariamente e não há riscos às pessoas, aos equipamentos e nem ao meio ambiente. O vazamento de água oleosa, detectado na terça-feira na casa de bombas, foi estancado, disse a Petrobras. A companhia informou o incidente às autoridades competentes e constituiu um grupo de trabalho composto por engenheiros da companhia e representante dos empregados para a avaliação do incidente. As equipes de manutenção trabalham no reparo definitivo da linha afetada e a produção será retomada após avaliação da equipe técnica.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Também em alta estão os papéis da Vale (VALE3, R$ 9,56, +4,60%; VALE5, R$ 7,12, +3,79%), que sobem forte em meio ao otimismo global, após BCE e disparada do petróleo.

Entre as quedas estão as ações de Fibria (FIBR3, R$ 44,32, -1,66%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,99, -1,96%). As duas exportadoras de papel e celulose são prejudicadas pela queda do dólar, já que possuem as suas receitas denominadas na moeda norte-americana.

IPCA-15

O IPCA-15 avançou 0,92% em entre os dias 15 de dezembro e 15 de janeiro, frente à alta de 1,18% no período anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (22). Em 12 meses, o avanço da inflação foi de 10,74%. O resultado ficou em linha com o esperado pelo mercado.

A mediana dos analistas esperava avanço de 0,98% no mês passado. Para o acumulado em 12 meses, a expectativa da mediana dos analistas era de em torno de 10,66% de inflação, contra 10,71% registrados no período imediatamente anterior.

Ainda o Copom

O presidente do Banco Central, AlexandreTombini, considerou melhor perder credibilidade que tomar decisão que sabia estar errada, disse fonte à colunista Claudia Safatle. Na quarta, oCopom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa Selic inalterada em 14,25% ao ano.

Barbosa nega retorno a política do primeiro mandato

Segundo o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, o debate sobre a política econômica adotada pelo governo brasileiro não deve ser avaliado pelo dualismo entre "heterodoxia" e "ortodoxia", segundo ele as ações propostas pelo governo – como o incentivo à oferta de crédito para alguns setores da economia – devem ser avaliadas pela eficiência para ajudar na retomada do crescimento

Barbosa também nega que o apoio ao crédito seja uma volta às políticas do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. "Agora, estamos voltando a práticas normais e não vejo nada de heterodoxo nisso", disse, ao frisar que esses financiamentos não terão custo fiscal.

O ministro ainda acredita que a economia brasileira poderá voltar a crescer no quarto trimestre de 2016, mas o ano deve terminar em recessão.

Cenário externo

As bolsas asiáticas se recuperaram das mínimas de quatro anos graças a indicação de mais suporte de política monetária pelo BCE e com a recuperação dos preços do petróleo, com o brent em alta. A autoridade monetária conseguiu conter parte do pessimismo por enquanto após o presidente do banco, Mario Draghi, sinalizar fortemente na quinta-feira que mais afrouxamento pode vir nos próximos meses.

O dia é de alta para as bolsas europeias, com o CAC 40 em alta de 3,51% e o DAX com ganhos de 2,29%, enquanto os índices norte-americanos abriram em alta de 1,5%.

Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,04%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 1,25%. O índice Nikkei do Japão saltou 5,88%, o maior ganho em mais de quatro anos, impulsionado por especulação de que o banco central do país vai optar por estímulos adicionais em sua reunião de política monetária nos dias 28 e 29 de janeiro.

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