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Brasil

18/01/2016


Alemanha quer parceiros para instalar dessalinizador no mar do RN

REVISTA NORDESTE

Por Pedro Callado

Quando alguém fala de Brasil e Alemanha, logo lembram do resultado da semifinal da Copa do Mundo de 2014, em que os anfitriões brasileiros sofreram uma amarga goleada por 7 a 1 dos alemães, que no jogo seguinte foram campeões do mundo. Mas a relação entre os dois países é bastante amistosa e isso é percebido em diversas parcerias entre os dois governos federais.

O embaixador da República Federal da Alemanha no Brasil, Dirk Brengelmann, esteve em João Pessoa para o Fórum Global da Internet (IGF), promovido pelas Nações Unidas, e conversou exclusivamente com a Revista NORDESTE sobre os projetos existentes entre os dois países.


Alemanha e Brasil cooperam entre si com prioridades em quatro aspectos: Desenvolvimento Sustentável, Economia, Ciência & Tecnologia e Política Externa. A maior parte dos investimentos acontecem em São Paulo e na região Sul, onde existem comunidades alemãs. Segundo Brengelmann, existem entre 5 a 7 milhões de brasileiros de descendência alemã.


Mas nem por isso o Nordeste fica de fora do mapa. Por ocasião do Fórum da Internet, o embaixador se encontrou com o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e este demonstrou grande interesse em questões de energias renováveis com as quais os alemães trabalham, como eólica e solar.
Atualmente o país europeu trabalha com um investimento econômico na Bahia e procura parceiros no Rio Grande do Norte para a instalação de uma estação de dessalinização.

Bahia
Foi estabelecido em 2013 uma parceria entre a multinacional alemã, Styrolution e empresa baiana Braskem para a implantação de uma fábrica de ABS (plástico de alta resistência utilizado na indústria automobilística). O investimento fica localizado no Pólo Industrial de Camaçari. Segundo o embaixador alemão, o investimento deve deslanchar no próximo ano. Entretanto foi noticiado que a implantação da fábrica estava suspensa devido “a rápida deterioração do clima de negócios na região”, fato que, Segundo a multinacional alemã, coloca em risco a execução do projeto.

Rio Grande do Norte
A parceria aqui não é necessariamente entre os países, mas sim entre o estado brasileiro Rio Grande do Norte e o estado alemão Rhineland-Palatinate. Um dos projetos entre os dois estados foi uma instalação de uma estação de dessalinização. O embaixador contou que todo o estudo para o projeto foi feito e que a produção já acontece em pequena escala, com um ritmo de 300 a 500 litros por hora. “Agora falta um parceiro brasileiro para ter essa produção em larga escala. Eu falei com o governador Robinson Farias e ele vai se preocupar com essa parceria”.
 

Pontos em comum alemanha e Brasil

Economia

Temos aqui cerca de 500 empresas da Alemanha em todo o Brasil, maior parte em Campinas, São Paulo, Ribeirão Preto, também em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas agora também na Bahia, no próximo ano, a empresa Braskem fez uma fabrica perto de Salvador, uma fabrica acrílica, a maior da América do Sul”

Desenvolvimento sustentável

Os dois países trabalham juntos na proteção das florestas tropicais e mata atlântica. Nas energias renováveis, fazemos muitas estações eólicas em cooperação com empresas brasileiras. O nosso parceiro principal nessa questão é o Ministério do Meio Ambiente, em Brasília e também Ministério das Cidades”

Política Externa

Nas Nações Unidas, os dois países, assim como o Japão e a Índia, querem formar o Conselho de Segurança da ONU. Temos uma campanha, fazemos parte disso. Aqui, nas Consultas Governamentais, quando a chanceler Merkel esteve no Brasil em agosto, tivemos um acordo com o Governo brasileiro para ter o alemão como língua estrangeira”
 

Ciência e Tecnologia

Tem muitas relações entre universidades, entre instituições da ciência. A SENAI trabalha para abrir um sistema de educação e formação profissional que é um pouco mais moderna. Infelizmente o programa Ciência sem Fronteira, teve uma redução de recursos e isso afetou o número de estudantes brasileiros na Alemanha, agora são 6 mil. Tem muitos de São Paulo, de Minas Gerais, infelizmente do Nordeste são poucos, muito pouco”.

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