menu

Política

21/07/2015


Apuros de Cunha reabrem governo Dilma

O envolvimento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na Operação Lava Jato, abre uma oportunidade para o governo da presidente Dilma Rousseff, avalia o colunista Breno Altman.

"As severas denúncias contra o presidente da Câmara dos Deputados talvez sejam a única boa notícia para o petismo nos últimos seis meses", diz ele. "Encurralado pela ofensiva conservadora, assistindo impavidamente a dissolução de sua base social, o Palácio do Planalto vinha sendo feito de gato e sapato por Eduardo Cunha."

Tudo mudou, diz Altman, com a denúncia de que ele teria cobrado US$ 5 milhões em propinas do delator Júlio Camargo, da Toyo Setal. "Uma tempestade mudou a paisagem, com um dos condutores fundamentais da estratégia oposicionista abalado pela acusação de que teria embolsado gorda propina em negociatas com fornecedores da Petrobras", aponta Altman. "A situação de Eduardo Cunha, aliás, pode ficar ainda pior, se o procurador-geral da República solicitar ao STF seu afastamento do comando da Câmara dos Deputados."

Os apuros de Cunha também abalaram aliados circunstanciais de Cunha. "De uma hora para outra, o campo conservador viu-se tomado por sentimentos de confusão e perplexidade, sem saber o que fazer com os danos provocados pelo raio caído em seu território", diz ele. "O PSDB e seus aliados saem momentaneamente de cena, silenciosos e escorregadios. A velha mídia se divide, entre veículos que pulam na jugular de Cunha e outros que preferem mantê-lo vivo como samurai contra o governo e o PT."

O que fazer diante do novo quadro? Altman propõe uma guinada radical do governo Dilma.

"Há uma chance preciosa, no entanto, para a esquerda abandonar a política de infindáveis recuos praticada desde outubro do ano passado, cujos resultados desastrosos saltam à vista por todos os lados", diz ele. "Outro rumo poderia ser traçado se a presidente Dilma Rousseff aproveitasse a tormenta para demitir o ministério e nomear um novo gabinete, no qual a participação da sociedade civil se sobrepusesse às negociações partidárias, em tentativa orgânica de buscar legitimidade extrainstitucional perante progressivo colapso do sistema de representação."

Segundo Altman, o "governo renascido deveria ter como lastro um programa de combate à recessão e retomada do desenvolvimento, com o objetivo de recompor o pacto entre as forças progressistas e atrair correntes democráticas que ainda respiram nas legendas centristas."

Brasil 247

Notícias relacionadas