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Política

02/09/2015


Artigo: “Dilma erra ao enfraquecer Levy?”

De novo, a presidente Dilma Rousseff comete um erro em relação a Joaquim Levy. Enfraqueceu o ministro da Fazenda e está deixando que ele pareça enfraquecido. Isso tornará mais custoso um acerto de contas que terá de ser feito de qualquer maneira. Se o Brasil perder o grau de investimento, a crise econômica de hoje vai parecer fichinha _além dos duros efeitos que terá sobre a política.

Culpar o ministro da Fazenda pela situação atual do país é tapar o sol com a peneira. Ele tenta corrigir o desastre da política econômica do primeiro mandato, com a qual Dilma voltou a flertar.

Hoje, é baixa a chance de Levy deixar o comando do Ministério da Fazenda, mas é inegável que ele está incomodado com a falta de respaldo da presidente e com a ausência de suporte político e empresarial às medidas econômicas que implementou e que deseja aplicar.

A insatisfação de Levy é real, mas há também a consciência de que sair do cargo agora lançaria o país numa crise ainda mais profunda.

Levy pensa diferente dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento), dois economistas que defendem linha de pensamento mais parecida com a da presidente. Justamente a linha de pensamento que levou o país à crise econômica atual.

O ministro da Fazenda também cometeu alguns erros políticos, como entrar em atrito com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que era seu principal parceiro na votação do ajuste fiscal no Congresso. Mas os dois se reaproximaram após essa rusga.

A afirmação feita ontem por Levuy de que governo, Congresso e sociedade precisam “botar a casa em ordem” é a absoluta verdade.

Enfraquecida politicamente, Dilma ouve conselhos de Mercadante e Barbosa para suavizar a política econômica. Acuado pela Lava Jato e cobrado por sua base social, o PT critica Levy. O Congresso votou projetos que elevaram as despesas públicas. Os empresários se queixam da política fiscal, mas não querem abrir mão da redução de impostos que tiveram. Essa arrecadação, no entanto, faz falta para fechar as contas públicas.

Há uma espécie de negação da realidade. Sem sacrifício do governo, do Congresso e da sociedade, o país não sairá da crise.

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Está prevista para hoje no Congresso a votação do veto presidencial ao reajuste dos servidores do Judiciário. O ajuste prevê correções de 53% a 78,5%, a serem pagas em seis parcelas até 2017.

Os servidores articularam um lobby forte e presente no Congresso para tentar derrubar o veto. A votação será um teste importante após a reaproximação entre Dilma e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Dilma também pediu ontem apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para impedir a derrubada do veto.

Essa batalha vai deixar claro que caminho a base de apoio da presidente vai seguir em meio ao agravamento da crise econômica. Se o governo perder, será um desastre, porque vai agravar ainda mais o rombo nas contas públicas.

Blog do Kennedy

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