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Economia

08/08/2018


Assessores de presidenciáveis debatem retomada de crescimento do país

Assessores de seis candidatos a presidente da República debateram hoje (8), em Brasília, caminhos para a retomada do crescimento econômico no país. No encontro O Desenvolvimento que o Brasil Precisa, promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), foram abordadas estratégias para equilibrar as contas públicas, recuperar o investimento e geração de emprego e renda no país.

A associação reúne instituições do Sistema Nacional de Fomento (SNF), integrado por bancos públicos federais, bancos de desenvolvimento controlados pelos estados, agências de fomento, bancos cooperativos, cooperativas de crédito, bancos públicos comerciais estaduais com carteira de desenvolvimento, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Sebrae. Segundo a ABDE, essas instituições respondem por cerca de 50% das operações de crédito no Brasil.

No documento entregue às assessorias dos presidenciáveis, a ABDE defende o papel do Sistema Nacional de Fomento na retomada do crescimento. Diz ainda que o nível de investimento precisa subir dos atuais 15% do PIB (Produto Interno Bruto) para 25% – patamar já alcançado pelo país em períodos de desenvolvimento.

O encontro foi divido em três etapas. Na primeira parte, a direção da ABDE e do SNF fez uma apresentação do setor. Depois, os seis assessores discorreram sobre as propostas de governo dos candidatos na área econômica. A ordem de apresentação de cada assessor foi definida por sorteio. O encontro foi encerrado com perguntas de membros da ABDE e de jornalistas.

Participaram do encontro os assessores: Ana Paula Oliveira (candidato Alvaro Dias, do Pode), Nelson Marconi (candidato Ciro Gomes, do PDT), Marco Antônio Rocha (candidato Guilherme Boulos, do PSol), José Márcio Camargo (candidato Henrique Meirelles, do MDB), Márcio Porchman (candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT) e Eduardo Bandeira de Melo (candidata Marina Silva, da Rede).

Guilherme Boulos (PSOL)

Assessor econômico da campanha de Guilherme Boulos, Marco Antônio Rocha foi o primeiro a falar e disse que a atual crise econômica tem características conjunturais e estruturais, o que exige medidas emergenciais e também políticas de longo e médio prazo. O programa do PSOL baseia-se em três eixos, segundo Rocha: desenvolvimento produtivo, reorganização de mecanismos de intervenção na economia e reestruturação da política macroeconômica.

Rocha afirmou que entre as medidas emergenciais estão as que visam gerar emprego e renda. “A atual crise tem características conjunturais e também estruturantes. Tivemos um alto grau de investimento e uma queda significativa na rentabilidade do setor privado. Também houve um processo de esvaziamento da matriz industrial brasileira”, argumentou Rocha, acrescentando que a proposta do PSOL prevê a revisão da atual política fiscal.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Em seguida, o economista Márcio Pochman, um dos coordenadores do programa de governo do PT, disse que a proposta do partido baseia-se em cinco eixos. São eles: soberania popular, reafirmação de direitos, reorganização do pacto federativo, construção de um novo padrão de desenvolvimento e transição ecológica para o século 21. “Nosso plano está assentado na hipótese de que a sociedade brasileira não vive um período de mudanças, mas uma mudança de período, um outro período histórico que se abre”, afirmou.

Para construir esse plano, o candidato petista, caso eleito, vai propor a revogação do teto dos gastos públicos (a chamada PEC 95), da reforma trabalhista e da terceirização, após a realização de plebiscito. Também pretende convocar uma nova Assembleia Nacional Constituinte para tratar das reformas tributária, política, fiscal e bancária.

Marina Silva (Rede)

Integrante da equipe da candidata Marina Silva, Eduardo Bandeira de Melo fez uma defesa dos bancos de desenvolvimento como instrumento importante de fomento do setor produtivo nacional. Afirmou que os bancos de desenvolvimento sofrem ataques de setores que pregam que o seu papel deveria ser assumido pelo setor privado. “Esse é um discurso totalmente equivocado”, disse Bandeira de Melo, destacando não ser o coordenador do programa econômico da Rede.

Segundo Bandeira de Melo, o mau uso do bancos de desenvolvimento não pode ser usado como argumento para extinção dessas instituições. Ao contrário, para ele, são instituições que assumem papel relevante para a retomada do investimento e do crescimento. “É preciso estabelecer prioridades. A partir do momento em que se elegem prioridades, a gente pode pensar no funding adequado”, disse.

Ciro Gomes (PDT)

Segundo o coordenador do programa de governo do candidato Ciro Gomes, Nelson Marconi, o Brasil precisa de uma estratégia nacional de desenvolvimento. “O Brasil precisa de um plano, um conjunto de propostas, nacional de longo prazo. O nosso ponto de partida é: onde nós queremos chegar? Para isso, precisa de uma estratégia”, afirmou.

Marconi afirmou que o programa do PDT vai contemplar as reformas fiscal, tributária e previdenciária, “para acertarmos a questão fiscal”. Segundo ele, o partido defende o controle das despesas públicas, mas prega a revogação do teto dos gastos públicos. “A PEC [95] não controlou gastos, mas reduziu o tamanho do Estado. Não é isso que a gente defende. Possivelmente tem de haver um teto para dívida, mas preservando algumas despesas como saúde, educação e segurança pública”, argumentou.

Henrique Meirelles (MDB)

O economista José Márcio Camargo, da equipe do candidato Henrique Meirelles, disse que o programa de governo vai aprofundar medidas adotadas nos últimos dos anos, como o teto de gastos públicos e a reforma da Previdência – enviada ao Congresso Nacional, mas ainda não aprovada. “O teto é uma revolução na forma de fazer orçamento no Brasil. Antes você aprova um projeto de aumento de gastos, mas ninguém diz de onde sai o dinheiro”, afirmou.

Segundo Camargo, o limite de gastos só é sustentável se houver a reforma previdenciária. Hoje, disse o economista, 57% do Orçamento da União vai para pagar benefícios previdenciários e assistenciais. “Sem reforma da Previdência, não tem solução. Vamos aprovar a reforma da Previdência nos primeiros três meses de governo”, disse Carmago, acrescentando que também é necessário acabar com as vinculações orçamentárias e fazer a reforma tributária.

Alvaro Dias (Pode)

Última a se apresentar, a economista e assessora do candidato Alvaro Dias, Ana Maria Oliveira, disse que o programa de governo do Pode tem uma meta síntese e outras 19 políticas públicas. A meta síntese prevê a “refundação da República” a partir de uma revisão da Constituição. “Para fazer qualquer coisa a partir do ano que vem precisamos de uma revisão constitucional que devolva a capacidade do Executivo de governar”, afirmou.

As políticas públicas propostas pela campanha de Dias tem cinco pilares: incentivo à inovação, incentivo à indústria e ao agronegócio, fortalecimento do empreendedorismo, reconstrução da rede de infraestrutura e interiorização. “Se perseguirmos esses cinco pontos, vamos conseguir chegar no objetivo principal do nosso plano que é fazer o Brasil crescer a uma taxa de 5% ao ano, nos quatro próximos anos, e gerar 10 milhões de empregos”, afirmou.

Agência Brasil

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