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Alagoas

09/12/2015


Balneabilidade das praias de Maceió é a pior dos últimos 10 anos

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) revela que a balneabilidade das praias urbanas de Maceió é a pior dos últimos dez anos. Coordenado pelo professor doutor do Centro de Tecnologia da universidade, Roberto Augusto Caffaro Filho, o estudo revela que, entre 2014 e 2015, as praias urbanas da capital, como o trecho que vai da Pajuçara à Cruz das Almas, têm permanecido impróprias para banho em proporção comparável à Praia da Avenida, onde desemboca o Riacho Salgadinho.

"A Praia de Pajuçara, em frente ao Hotel Sete Coqueiros, ficou mais de 90% do tempo imprópria para banho, tanto em 2014 quanto em 2015. Esse resultado foi pior do que o da Praia da Avenida no mesmo período. Uma mesma tendência tem sido sempre observada nessas praias urbanas. Na época das chuvas, a qualidade piora, por causa das famosas 'línguas sujas'. Na época mais seca, que coincide com o verão, a balneabilidade na maior parte do tempo deveria ser boa, mas desde o verão de 2014 isso não é mais verdadeiro. A qualidade no verão também está péssima", alertou Caffaro.

Para realização do estudo, foram monitorados trechos nas praias de Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e Cruz das Almas. Os resultados obtidos nesses locais foram comparados aos colhidos na Praia da Avenida, considerada uma das mais poluídas da capital.

"Comparamos os resultados dessas praias com os de um ponto na Praia de Avenida, que fica próximo à foz do Riacho Salgadinho. Essa praia é reconhecidamente poluída e, visivelmente, ninguém toma banho nesse ponto. Já sabíamos, pelo estudo anterior, que a qualidade na Praia de Jatiúca, em frente ao antigo Hotel Meliá, era péssima. Em 2011, essa praia ficou imprópria 100% do tempo. O que não esperávamos era observar tamanha deterioração na qualidade de praias que historicamente apresentavam qualidade regular, como a de Pajuçara e de Ponta Verde", lamentou o pesquisador, que acompanha a balneabilidade da orla de Maceió desde 2009.

O professor ressalta que o acompanhamento da qualidade da água do mar é essencial para alertar a população e evitar a proliferação de doenças. "O contato do nosso organismo com águas poluídas por esgoto gera riscos de gastroenterites, causando diarreias e vômitos, infecções na pele, nos olhos e nos ouvidos, inflamações na garganta e nas vias aéreas e hepatites", alertou.

Ainda de acordo com Caffaro, os resultados obtidos com os estudos apontam que Maceió é a capital do Nordeste cuja qualidade das praias urbanas é a mais deteriorada.

"É público e notório que a Praia da Avenida é poluída. Até os guias de viagem impressos informam isso. Mas esses mesmos guias recomendam banho nas praias de Pajuçara e Ponta Verde. A percepção geral do maceioense e do turista é que não há tanto problema nessas praias. Mesmo os resultados semanais estando disponíveis no site do IMA [Instituto do Meio Ambiente], quase ninguém os consulta. Ou seja, os usuários não estão tomando uma decisão informada quando se banham nessas praias. Isso é gravíssimo".

Na opinião do pesquisador, a causa desse quadro alarmante é um colapso no sistema de esgotamento sanitário que serve a região. "Todos que transitam pelas ruas e avenidas próximas à orla já viram diversas vezes, e em diversos pontos, o extravasamento de esgoto da rede coletora. Ora, esse esgoto não tem para onde ir senão para o mar, drenado pelas galerias pluviais. Esses extravasamentos se tornaram frequentes desde meados de 2013, exatamente quando a balneabilidade começou a piorar significativamente. Muito se fala e já se tentou fazer para combater as 'ligações clandestinas' de esgoto nas redes pluviais. Mas, diante dos extravasamentos de esgoto da rede 'oficial', esta é uma questão secundária", afirma.  

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