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Economia

21/12/2015


Barbosa precisa ser sincero sobre meta fiscal de 2016

O novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, tem dois desafios principais. O primeiro e mais importante: recuperar a confiança do mercado financeiro e dos empresários numa proposta consistente de melhora da economia. O segundo desafio tem ligação com o primeiro, mas é diferente: vencer as desconfianças, apesar de ser um dos responsáveis pela política econômica que deu errado no primeiro mandato.

No final da manhã de hoje, antes da posse, Barbosa vai conversar com investidores estrangeiros. Isso mostra o tamanho da desconfiança em relação a ele.

Normalmente, um novo ministro da Fazenda é nomeado porque sua escolha tem um efeito positivo. Quando a presidente Dilma Rousseff tirou Guido Mantega e colocou Joaquim Levy, foi isso o que aconteceu. Agora, ao trocar Levy por Barbosa, o efeito é negativo.

Barbosa precisa apresentar ao país um plano fiscal de longo prazo que seja consistente e uma proposta de reformas, como a da Previdência, que possam ter chance real de aprovação no Congresso. Isso seria a proposta do atacado.

No varejo, tem de ser bem claro hoje sobre a meta fiscal de 2016. Barbosa queria zerar a meta. Levy queria 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) de superavit primário. O governo tentou aprovar 0,5%, mas já dizendo que poderia zerar com o abatimento de gastos em investimentos.

Levy se uniu à oposição e a meta de 2016 ficou em 0,5% sem poder ser zerada. Barbosa precisa ser sincero sobre o grau de ajuste fiscal que deseja implementar. Está falando em manter o ajuste, mas de qual forma? A meta será de 0,5% mesmo? Há previsões de mercado de que haverá deficit primário novamente. Não adianta falar em meta de 0,5% agora e daqui a dois meses dizer que será zero ou daqui a seis meses surgir com um número negativo. Melhor dizer hoje o que pretende fazer de fato.

O governo Dilma descumpriu no primeiro e no segundo mandatos todas as suas metas fiscais. Para recuperar a confiança, Barbosa terá de ser claro a respeito disso. Do contrário, correrá o risco de ter passagem breve pela Fazenda.

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A depender do que fizer nos próximos dois meses, dos resultados que apresentar, Barbosa vai ajudar a esquentar ou esfriar o debate do impeachment. Com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de invalidar o rito que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, queria dar ao impeachment, houve uma vitória política inegável da presidente. Isso esfriou um pouco a tese do impeachment.

Hoje, na “Folha de S.Paulo”, o senador Aécio Neves retira o aval que o PSDB deu a um eventual governo Temer há duas semanas, quando a cúpula se reuniu e defendeu o impeachment. Aécio, que preside o PSDB, disse que o partido não deve pensar em cargos num governo Temer e que o vice-presidente tem sido parceiro de um projeto que fez o país retroceder 20 anos. É um claro recuo em relação à disposição de apoiar uma gestão Temer. Isso também enfraquece a tese de impeachment.

Esse debate, porém, poderá esquentar se a economia piorar. Empresários estão pessimistas em relação a 2016 e também no que se refere à capacidade da presidente de tirar o país da crise. O que vai acontecer com a economia vai nos mostrar mais adiante se a presidente será capaz de esfriar de vez no Congresso a tese de impeachment ou se vai dar mais combustível à possibilidade de queda do poder.

Blog do Kennedy

IG

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