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Economia

18/05/2016


Bolsa de NY suspende negociação de papéis da Eletrobras

Nesta quarta-feira (18), a negociação dos papéis da Eletrobras foi suspensa na bolsa de Nova York (Nyse) após a estatal comunicar na véspera que não entregaria às autoridades dos Estados Unidos o balanço auditado referente a 2014.

A empresa de auditoria KPMG precisa aprovar o balanço financeiro da estatal antes de ele ser enviado, mas ela se recusa a assinar o documento já que ele não mensura o dano causado à estatal por irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato.

A estatal afirma que não há chance de nova extensão de prazo pela Bolsa de Valores de Nova York, que deve suspender a autorização para negociação dos American Deposit Receipts (ADRs) da companhia, enquanto corre o processo de deslistagem.

Na nota enviada à SEC na véspera, a Eletrobras disse que pretendia apresentar recursos e que estava trabalhando para permitir que os ADRs pudessem ser negociados no mercado de balcão.

Durante evento no Rio de Janeiro, o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, já havia admitido que seria "pouco provável" que o balanço fosse apresentado ainda nesta quarta-feira, mas que faria "todo esforço possível" para que a investigação fosse concluída o mais rápido possível. Fernando Coelho Filho informou que quinta-feira (19) a Eletrobras vai recorrer da decisão.

Ele disse acreditar que o recurso a ser apresentado deverá levar de dois a três meses para ser julgado. Fernando Coelho acrescentou que, durante esse período, serão feitos “todos os esforços necessários no sentido de que as investigações possam ser concluídas, o que dará conforto para que a auditoria independente assine o balanço".

Com o balanço auditado e assinado, o ministro espera que as ações da holding possam voltar a ser negociadas “antes de que seja iniciado o processo de deslistamento”.

Comando

Sobre a possibilidade de troca de comando na Eletrobras, Fernando Coelho informou que o governo não está pensando nisso no momento, mas admitiu que a empresa precisará passar por um processo de desmobilização de ativos.

“Não estamos falamos em substituição agora. Estamos focado primeiro em poder resolver o problema do balanço e de capitalizar a empresa. Formatamos algumas sugestões ao longo desta semana. Evidentemente que há necessidade de desmobilização de alguns ativos do Sistema Eletrobras, mas tudo isso será feito em comum acordo com Moreira Franco [que vai coordenar o Programa de Parceria de Investimento (PPI)] e com o Ministério do Planejamento, de forma que apresentemos um projeto de que dê condições para que possamos reorganizar o sistema elétrico brasileiro”, destacou.

Petrobras

Com relação à substituição na direção da Petrobras, o ministro de Minas e Energia admitiu a possibilidade, mas fez a ressalva de que este é um assunto que caberá ao presidente interino Michel Temer resolver.

“Tem uma pré-agenda agora à tarde com o presidente, quando o assunto deverá ser discutido. Sem dúvida, o tema deverá surgir. Mas Petrobras é uma questão de governo, não é de ministro. Evidentemente que ela está ligada ao Ministério de Minas e Energia, mas quem fala a respeito é o presidente Temer”, esclareceu. 

Jornal do Brasil

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