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Economia

15/01/2016


Bovespa opera em queda; ações da Petrobras e Vale afundam

O Ibovespa opera em forte queda nesta sexta-feira (15), deixando de lado a sua tentativa de recuperação da quinta e acompanhando as quedas nas bolsas internacionais. Principal destaque da semana, o petróleo volta a cair forte hoje e o barril do WTI (West Texas Intermediate) recua nada menos do que 4,78% em meio a preocupações com o aumento da oferta do Irã. Na China, o número de novos empréstimos ficou abaixo do esperado, mostrando uma menor eficácia dos estímulos do governo. Por fim, no cenário doméstico, a presidente Dilma Rousseff sancionou sem vetos o Orçamento de 2016.

Às 11h36 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 2,64%, a 38.457 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,74% a R$ 4,0279 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro tem alta de 0,71% a R$ 4,045. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 2 pontos-base a 15,51%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 avança 8 pontos-base a 16,51%.

No mercado internacional, o maior peso fica por conta do petróleo, que responde a mudanças no Oriente Médio. Depois de passar um longo período fora do jogo no comércioexterior da commodity, o país deve voltar com força este fim de semana, para o qual está previsto que sejam levantadas as sanções que sofria da comunidade internacional por conta do seu programa nuclear.

Ações em destaque

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 7,00, -3,18%; PETR4, R$ 5,42, -4,75%) despencam hoje seguindo o movimento do petróleo. O barril do WTI cai 4,78% a US$ 29,71, enquanto o barril do Brent registra queda de 3,43% a US$ 29,82.

No noticiário, a estatal protocolou solicitação junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que seja cancelado seu pedido de registro de oferta de debêntures simples, inicialmente previsto para o montante de 3 bilhões de reais, citando condições de mercado desfavoráveis, de acordo com publicação nesta sexta-feira. Em outubro, a petroleira havia requerido que a CVM interrompesse a análise do pedido de registro da oferta de debêntures até esta sexta-feira, 15 de janeiro, devido às condições adversas do mercado.

A Vale (VALE3, R$ 9,29, -3,73%; VALE5, R$ 7,22, -3,99%) afunda nesta sessão, seguindo as mineradoras lá fora, que são pressionadas pelo novo "sell-off" da Bolsa chinesa, que traz apreensão aos mercados globais. O pessimismo leva abaixo os preços das commodities, com os metais caminhando para a 2ª semana de baixa. Ontem, estrategista do Citigroup disse que são fortes as chances do minério de ferro cair para baixo de US$ 30,00 a tonelada até o fim deste ano, seguindo o exemplo do petróleo.

Na Bolsa de Londres, as ações da Anglo American afundavam 11%, indo para 235,20 libras, liderando as perdas das mineradoras, depois de ver a bolsa chinesa cair mais de 3% nesta sessão. Seguiam o desempenho os papéis da BHP Billiton, Glencore e Rio Tinto, que desabavam mais de 5% nesta sessão.

Entre as 61 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa atualmente, apenas as exportadoras de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 44,01, +0,02%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,98, +0,38%) subiam. As duas empresas são beneficiadas pela alta do dólar, já que a maior parte das suas receitas vem na moeda norte-americana.

Cenário externo

A sessão desta sexta-feira é de cautela para os mercados, com China e petróleo renovando as tensões. A bolsa da China entrou em bear market (quando o índice despenca 20% ou mais em relação a um topo) ao registrar baixa de 3,5% na sessão de hoje com a notícia de que osbancos chineses não aceitam ações como colateral em operações de crédito. As commodities também operam em baixa, enquanto o S&P futuro cai e petróleo volta a ficar abaixo de US$ 29. O japonês Nikkei, por sua vez, teve queda de 0,54%, enquanto Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, caiu 1,5%.

No noticiário econômico chinês, o Banco do Povo do país informou que injetou 100 bilhões de yuans no mercado por meio de uma linha de crédito de longo prazo nesta sexta-feira, com o objetivo de manter a ampla liquidez no sistema bancário do país. Além disso, os bancos do país liberaram 597,8 bilhões de yuans (US$ 90,7 bilhões) em novos empréstimos em dezembro, abaixo dos 708,9 bilhões de yuans de novembro e menos do que previam os economistas.

Na Europa, o dia também é de baixa acompanhando o noticiário chinês e com a queda do petróleo: o FTSE cai 1,39%, o DAX tem baixa de 1,21% e o CAC 40 tem queda de 1,30%.

Indicadores

Entre os indicadores divulgados hoje, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), espécie de prévia do PIB (Produto Interno Bruto), caiu 0,52% em novembro sobre outubro, de acordo com dados dessazonalizados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (15). Pesquisa da Bloomberg apontou que a mediana das expectativas dos economistas era de queda 0,90%. Em 12 meses, o dado caiu 6,14%, contra expectativas de queda de 6,75% segundo a Bloomberg.

A taxa de desemprego no Brasil subiu a 9% no trimestre encerrado em outubro e voltou a renovar o maior patamar da série iniciada em 2012, apontou a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua divulgada nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa ficara em 8,9% no segundo trimestre. A expectativa da pesquisa Bloomberg junto a economistas era de que o desemprego chegasse a 9,1% no quarto trimestre até o fim de outubro.

Orçamento de 2016

A presidente Dilma Rousseff sancionou sem vetos o Orçamento de 2016, de acordo com lei publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira. A lei estima a receita da União para 2016 em R$ 3,050 trilhões. Em meados de dezembro, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2016, evitando assim que o governo começasse o ano com amarras no Orçamento.

Bateria de indicadores dos EUA

Sai hoje uma bateria de indicadores norte-americanos, que podem acabar trazendo volatilidade pelo volume. Às 11h30 saem as vendas do varejo, para as quais se espera um leve avanço de 0,1% em dezembro; a inflação ao produtor, que deve registrar uma contração de 0,1%; a produção industrial, que provavelmente recuará 0,2% e o índice de confiança de Michigan, que tem como expectitiva uma estabilidade em janeiro ante dezembro, aos 92,6 pontos. Destaque ainda para o discurso de William Dudley, do Federal Reserve de Nova York.

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