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Economia

01/09/2017


Brasil cresce pelo 2º trimestre seguido, mas recuperação ainda é lenta

A economia brasileira registrou uma alta de 0,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiros três meses de 2017, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB), influenciado pelo bom desempenho da agricultura, já tinha registrado crescimento de 1%, o primeiro sinal positivo após dois anos consecutivos de retração econômica. A sequência de dois trimestres seguidos de alta é a primeira desde o início de 2014. O cenário econômico no acumulado de quatro trimestres, no entanto, ainda é negativo, somando um recuo de 1,4%.

O resultado positivo do segundo trimestre foi puxado pelo desempenho do setor de serviços, que cresceu 0,6%, e pelo consumo das famílias, que avançou 1,6%, a primeira alta após mais de dois anos de recuo. Segundo o IBGE,  a desaceleração da inflação no segundo trimestre –que chegou a ser negativa em junho– a queda da Selic, a taxa básica de juros, e o crescimento da massa salarial influenciaram no crescimento do consumo das famílias brasileiras. Os saques das contas inativas do FGTS e uma pequena reação do emprego, antes da prevista por analistas, também contribuíram para essa alta.

“É uma variação positiva. A gente nem chama de crescimento. Apontamos crescimento quando é superior a 0,5%”, ponderou Rebeca de La Rocque Pali, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Ela ressalta, em nota divulgada pelo instituto, que é preciso olhar também para as outras comparações. “No primeiro semestre, o consumo das famílias ainda está em queda, de 0,6″%.

Dos três principais setores da economia, apenas os serviços avançaram no segundo trimestre. A agropecuária, que vinha impulsionando o PIB, ficou estável (0,0%) no segundo trimestre, após uma trajetória de três trimestres seguidos de alta. Já a indústria recuou 0,5% em comparação ao primeiro trimestre, após ter subido 0,7% nos primeiros três meses do ano.

Segundo economistas, tecnicamente é possível dizer que o país começa a sair da recessão, uma vez que o país registrou dois trimestres de crescimento. Eles ponderam, no entanto, que a recuperação é incerta visto que não há uma melhora generalizada dos setores. Outro fator que gera dúvidas sobre a capacidade da saída do país da recessão é o ambiente de forte incerteza política. Após a turbulência gerada pelas delações dos acionistas da JBS, que envolviam o presidente Michel Temer, o Governo deve enfrentar outra batalha. Nas próximas semanas, Temer pode ser alvo de uma nova denúncia pela Procuradoria-Geral da República, o que pode atrasar ainda mais a votação de reformas consideradas essenciais pelo mercado e investidores para alavancar a retomada econômica.

Investimentos ainda em queda

Diante desse cenário ainda turbulento, o investimento das empresas, a chamada formação bruta de capital fixo, ainda registrou retração de 0,7% em relação ao primeiro trimestre, a quarta queda consecutiva, porém menos intensa que o recuo de 0,9% do primeiro trimestre. A taxa de investimento no período foi de 15,5% do PIB, abaixo do registrado no mesmo período de 2016 (16,7%).

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram crescimento de 2,5%, enquanto as Importações de Bens e Serviços sofreram contração de 3,3% no segundo trimestre de 2017. Dentre as exportações de bens, aqueles que registraram os maiores aumentos foram veículos automotores, petróleo e gás natural, produtos agropecuários e papel e celulose. Na pauta de importações de bens, as quedas mais relevantes ocorreram em máquinas e equipamentos, equipamentos de transporte (exceto veículos automotores), minerais metálicos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e produtos de metal.

Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2017 alcançou 1,639 trilhão de reais. O avanço de 0,2% da economia nos últimos três mesese veio ligeiramente abaixo do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, e que mostrou alta de 0,25% sobre o período janeiro a março de 2017.

El País

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