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Brasil

07/12/2017


Brasil é um dos lugares mais perigosos do mundo para ativistas dos direitos humanos, diz AI

O Brasil é um dos lugares mais perigosos do mundo para os defensores dos direitos humanos. Em 2016, 66 pessoas foram assassinadas por defender seus direitos e de suas comunidades no território nacional, indica relatório da Anistia Internacional.
A maior parte destas vítimas era formada por indígenas, trabalhadores rurais e outras pessoas que lutavam contra interesses poderosos no campo. Como exemplo, é citado o caso da chacina de Pau D’Arco, no Pará, quando dez trabalhadores rurais e ativistas foram mortos em uma operação da Polícia Militar em maio deste ano.

Apenas entre janeiro e agosto de 2017, 58 defensores dos direitos humanos foram mortos.

A coordenadora de pesquisa e políticas da Anistia Internacional Brasil, Renata Neder, acredita que o Estado brasileiro faz pouco para impedir essa violência já que não atua efetivamente na investigação e na prevenção destes crimes:

“A não investigação e não responsabilização dos ataques contra defensores dos direitos humanos é um elemento importante nesse ciclo de violência porque passa uma mensagem para quem cometeu esses crimes de que essa violência é aceitável, tolerável e que o Estado nada vai fazer”, disse Renata em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Ela também pontua que antes dos ataques fatais, costuma haver uma ameaça ou uma agressão — mas as autoridades “fecham os olhos”.

A publicação da Anistia Internacional também destaca que a violência contra os defensores dos direitos humanos está aumentando. O número de ativistas mortos no mundo todo em 2014 foi de 136, enquanto em 2016 foram registradas 281 mortes.

Renata destaca que é preciso entender essa violência não só como um ataque contra pessoas específicas, mas também como uma investida contra os direitos que elas defendiam.

“Direitos humanos são os direitos que deveriam ser garantidos à todas as pessoas, o direito a uma vida digna, livre de violência, livre de discriminação, com acesso à saúde e educação”, afirma a coordenadora de pesquisa e políticas da Anistia Internacional Brasil.

A publicação também aponta que o Brasil registra um dos maiores números de homicídios de transgêneros no mundo e relembra o caso da ativista e travesti Mirella de Carlo, assassinada em Belo Horizonte por um cliente que discordou do valor do programa e ficou com medo da exposição de seu caso para sua família e amigos.

Brasil 247

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