25/11/2015

Problema histórico do Nordeste, crise hídrica preocupa região Sudeste

Estiagem afeta principalmente SP, MG e ES. Matéria veiculada na edição 107 da NORDESTE

Problema histórico do Nordeste, crise hídrica preocupa região Sudeste

Por Paulo Dantas

A situação no Sudeste é preocupante. A região responde por 70% da geração de energia do país, segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), além de ser forte propulsora da agricultura e concentrar boa parte da indústria nacional. Com um cenário de seca que revela a pior crise hídrica dos últimos 85 anos, segundo especialistas e autoridades, a região tem convivido com uma realidade com a qual normalmente não é afeita. Hoje, pelo menos 133 cidades sofrem algum tipo de dificuldade motivada pela seca. O sudeste é abastecido pelo Sistema Cantareira, pela Bacia do Paraíba do Sul e pelo Rio São Francisco, os três em situação crítica, segundo a Agência Nacional de Água (ANA).

 

São Paulo, racionamento branco

O estado é o que mais sofre. A crise atinge uma população de cerca de 9 milhões de pessoas, englobando toda a região metropolitana e cidades abastecidas pelas bacias Piracicaba, Capivari e Judiaí (chamadas bacias PCJ) e do alto Tietê. O governo do estado não admite que esteja havendo algum tipo de racionamento. No entanto, em 2014, no mínimo três vezes por semana faltava água na Capital. Levantamento divulgado recentemente apontou 170 mil reclamações dos moradores por falta d’água. O Sistema Cantareira, no início do ano, chegou a atingir a média histórica de São Paulo, mas permanece no volume morto e agora está com 16%, dos 1,2 bilhão de metros cúbicos de água. que suporta.

 

Rios esvaziados

Em Minas Gerais o prolongado período de estiagem tem levado à redução drástica do nível dos mananciais e causado racionamento em 07 cidades. O estado é considerado a caixa d’água do país. Lá estão as nascentes dos principais rios que vão abastecer as cidades. Chover no Triângulo Mineiro é importante para abastecer os rios do Alto Paranaíba e o Rio Grande, que vão formar também o Rio Paraná. A chuva que cair em Unaí e Paracatu alimentam os rios à esquerda do São Francisco. Desta forma, não é difícil perceber, quão estratégica é a chuva que cai em Minas. O Rio Doce, o maior curso de água do Sudeste, vive momentos de agonia. Sem força, suas águas não estão alcançando mais o Oceano Atlântico no ponto tradicional. O manancial chegou a um estágio tão grave de seca e assoreamento que a foz recuou 60 metros e agora se encontra como uma lagoa, represada por uma faixa de areia grossa de dois metros de altura.

 

Situação crítica

“O estado do Espirito Santo foi pego de surpresa em janeiro de 2015 quando as chuvas normais de verão não chegaram”, informou o diretor presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos do Estado (Agerh), Paulo Paim. “Hoje o Espírito Santo é um estado seco”, pontua. Na Grande Vitória, a vazão dos rios Santa Maria da Vitória e Jucu tem sido suficiente para abastecer a população, mas os níveis estão cada vez mais baixos. O estado paralisou uma antiga estação de geração de energia para acumular água apenas para consumo. Segundo o governo do estado, o Espírito Santo está vivendo uma das piores crises hídricas de sua história. Meteorologistas consultados pelo estado tem traçado um painel pouco alentador. “A experiência tem nos afirmado que as chuvas do verão que ocorrem no final de novembro até janeiro, virão atrasadas e em torno de 30% a 40% a baixo da média”, frisa.

 

Rio de Janeiro, sinal de alerta

O rio Paraíba do Sul, um dos maiores do Rio, está com 6,6% de volume de água, em setembro do ano passado estava em 17%. “Em condições normais nos reservatórios teríamos que estar trabalhando com 55%, para garantir a gestão das águas do Paraíba do Sul e todos os usos para o abastecimento do Rio de Janeiro”, explicou Luiz Roberto Barreti, do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. O reservatório do Paraibuna que abastece o Grande Rio de Janeiro, praticamente só saiu do volume morto está, 0,66% acima, mas segundo secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, André Correa, o Paraibuna deve entrar no volume morto nos próximos dias. Com as previsões de poucas chuvas de outubro a dezembro e seca a partir de janeiro, a situação ficará crítica.
 

 

Realidade Extrema


São Paulo

- 170 mil reclamações por falta d’água na capital
- Em 2014, no mínimo três vezes por semana faltava água na capital 
- Hoje 33 cidades da região metropolitana de SP vivem alguma dificuldade devido a seca
- Em outubro de 2014, nível de água do Sistema Cantareira chegou a 12,8% 
- Pelo menos 9 milhões de pessoas dependem do Sistema Cantareira
- Venda de água mineral aumentou 200%

 

Minas Gerais

- 105 municípios declararam situação de emergência
- Norte de Minas vive cenário desolador devido crise hídrica.
- Em julho rios e córregos já estavam secos na região
- Paraopeba, que abastece Belo Horizonte, está com 25% da capacidade

 

Espírito Santo

- Decretado Cenário de Alerta 
- 10 cidades sofrem racionamento
- 10 cidades em situação crítica 
- 16 municípios decretaram situação de emergência
- 09 municípios têm restrições na captação e uso de água para fins industrias e de irrigação
- É priorizado abastecimento humano e animal em todas as bacias hidrográficas


Rio de Janeiro

- Paraibuna alcançará volume morto nos próximos dias 
- Paraibuna está apenas com 0,66% acima do volume morto 
- Situação é a mais grave dos últimos 85 anos
- O volume útil do reservatório do Rio Paraíba do Sul está em 7,30%
- O Rio Paraíba do Sul tem apenas 6,6% de volume de água

 


Confira matéria sobre a seca no NORDESTE
Confira matéria sobre a seca no SUDESTE

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