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Brasil

01/11/2013


Calote da OGX afeta percepção de estrangeiros

QUEBRADEIRA GERAL

A plataforma da OGX submergiu essa semana. Ainda acima do espelho d´água restou a bandeira do Brasil, país de origem da petroleira e de diversas outras empresas que também acessam o mercado internacional de dívida. Especialistas acreditam que, no curto prazo, as companhias brasileiras com projetos de captação externa sofrerão com a imagem do naufrágio da OGX, o que vai atrasar e encarecer projetos de expansão escorados em dívida. As maiores afetadas são as que se parecem com a OGX, seja pela ajuda do Governo ou pela falta de ratings mais robustos.

Uma que já sentiu na pele foi a subsidiária brasileira da Louis Dreyfus Commodities, companhia agrícola com atuação mundial. Aqui no Brasil, a empresa não tem grau de investimento. Quando tentou captar no exterior, no segundo semestre desse ano, encontrou as portas fechadas. “Há relação com o que ocorreu com a OGX. Faz poucos meses que a petroleira começou a demonstrar suas dificuldades financeiras e operacionais. O apetite por risco dos estrangeiros pelas empresas mudou, desde então”, esclarece o chefe de renda fixa de um banco europeu que pede sigilo sobre sua identidade.

Operações como essas — chamadas de high yeld — estavam mais fáceis no primeiro semestre, conta o executivo. OAS, Marfrig, Minerva e usinas de açúcar do interior de São Paulo fizeram dívidas no exterior sem grandes dificuldades antes da OGX assustar os investidores ao divulgar fatos sobre sua saúde financeira, nos últimos meses.

“Há investidores estrangeiros enxergando o ocorrido com a OGX como um símbolo, um resumo e um exemplo do que se passa no Brasil. Isso terá um custo no curto prazo”, acredita João Augusto Castro Neves, analista de América Latina da consultoria internacional Eurasia Group. O executivo, sediado nos Estados Unidos, vê como negativa a repercussão na maior economia do planeta do calote dado pela OGX. “Aqui é chamado de headline risk, que é o efeito destrutivo de uma manchete negativa para a credibilidade dos envolvidos. Nesse caso, quem sofre são as empresas brasileiras. Se alguma delas pensa em captar aqui fora recomendo que espere.”

Castro Neves sugere cautela às emissoras porque o calote da OGX está sendo visto como resultado da conjuntura brasileira. “Há um pessimismo exagerado. Mas, em breve, os fundamentos de cada um das emissores de dívida voltarão a ser mais importantes do que as manchetes com a palavra default. “Ontem, a sequência de notícias desagradáveis foi completada com a agência de classificação de risco Moody´s rebaixando a nota de crédito da OGX de Ca para C.

O professor Otto Nogami, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), acredita que o efeito da queda o naufrágio da OGX será sentido por mais tempo pelas empresas brasileiras. “Principalmente aquelas que recebem ajuda ou têm participação do Governo. Ficou uma situação difícil para a imagem do país como um todo porque a OGX é resultado de uma política de desenvolvimento. Está criado o ruído de que o valor delas foi inflado pela participação do Governo.” Além das operações de dívida no mercado internacional, Nogami acredita que essa desconfiança traz impactos também aos investimentos diretos em projetos de Parceria Público-Privada (PPP). Os próximos leilões de concessão podem ser afetados pela queda da OGX.

Nogami aponta que o desafio de retomar a credibilidade das empresas brasileiras recai sobre várias instituições. Uma delas é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Ofertas públicas de empresas pré-operacionais ocorrem em outros mercados, principalmente nos Estados Unidos e Canadá. A questão é que faltou preocupação técnica. Principalmente com a capacidade do gestor e com as garantias do que ele afirmava sobre o ativo, durante toda a vida da empresa.”

 

iG

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