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Brasil

14/11/2014


Canibais de Garanhuns: julgamento de acusados continua em Olinda

O julgamento do trio conhecido como Canibais de Garanhuns que começou na quinta-feira (13) em Olinda (PE), recomeçou por volta das 9h30 desta sexta-feira (14), segundo o TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco). Segundo a denúncia do MP-PE (Ministério Público de Pernambuco), Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva são acusados de homicídio quadruplamente qualificado (por motivo fútil, com emprego de meio cruel, sem dar chance de defesa à vítima e para assegurar impunidade), vilipêndio e ocultação de cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17 anos. O crime ocorreu em maio de 2008, no bairro de Rio Doce.

A sessão do júri começou às 9h40 de quinta-feira, com o sorteio dos sete jurados e a composição do conselho de sentença. Em seguida, houve a leitura da denúncia do MPPE. Às 10h05, foi ouvida a primeira testemunha arrolada pelo MP, o psiquiatra forense Lamartine Hollanda. Logo depois, o delegado da Polícia Civil Paulo Berenguer prestou depoimento. Ele disse que cada um tem sua participação na morte de Jéssica.

— Eles confessaram o canibalismo. A carne era temperada normalmente por Isabel e Bruna e servida junto com o resto normal de comida. A ideia era comer a carne purificada da vítima para que a purificação atingisse os três.

Após intervalo de uma hora, a sessão foi retomada às 13h30 com o depoimento dos réus. Jorge Beltrão foi o primeiro a ser interrogado e confessou que matou, esquartejou e comeu parte do corpo de Jéssica. Depois dele, foram ouvidas as outras acusadas, Isabel Cristina e Bruna Cristina. Cada réu foi ouvido por aproximadamente duas horas.

Nesta sexta-feira, a sessão recomeçará com a fase de debates. A promotoria terá duas horas e meia para a sustentação oral, mesmo tempo destinado à defesa dos réus. Depois, o Minitério Público tem direito a duas horas de réplica e os defensores poderão requerer outras duas horas de tréplica. Finalizada essa etapa, os sete jurados recolhem-se, em sala reservada, para responder aos questionamentos que definirão se os réus serão condenados ou absolvidos. Por último, a magistrada retorna ao salão do júri para divulgar a sentença.

Os acusados estão presos desde abril de 2012. À polícia, eles contaram que eram integrantes de uma seita chamada Cartel, que tem como meta a purificação do mundo e o controle populacional, por isso as vítimas sempre eram mulheres. Além de Jéssica, os criminosos também respondem pelas mortes de Giselly Helena da Silva e Alexandra Falcão da Silva — o desaparecimento das duas últimas foi o que motivou o início das investigações policiais.

Após perícias e interrogatórios que começaram em Garanhuns, a polícia encontrou provas com relação ao assassinato de Jéssica, ocorrido em Olinda. Os restos de Jéssica foram localizados emparedados na casa do trio. Essas partes, como as mãos da vítima, eram consideradas impuras. O restante era consumido pelo trio. Os acusados chegaram, inclusive, a rechear os salgadinhos que vendiam com a carne de vítimas.

Em julho do mesmo ano, os réus passaram por exames de sanidade mental que provaram que eles podem responder pelos próprios atos.

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