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Maranhão

24/11/2019


Carlos Brandão vê avanços em missão do Consórcio Nordeste na Europa e prevê altos investimentos em breve

Por Walter Santos

EXCLUSIVO – “Viemos em missão certos de que estávamos fazendo o melhor pelo nosso país e pela nossa região”, sintetizou o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, avaliando como estratégica e propositiva a missão do Consórcio Nordeste durante uma semana na Europa com ele representando o estado Maranhão em inúmeros encontros de negócios em favor dos 9 estados de forma pioneira. Ele prevê reunião no primeiro bimestre de 2020 com investidores “um loco” no Nordeste.

NORDESTE – Qual o saldo político e institucional da missão dos governadores à Europa? Onde a iniciativa do Consórcio Nordeste não constrói paralelismo com o Governo Federal?

CARLOS BRANDÃO – Em momento algum construimos a nossa missão sem a ciência ou mesmo o aval do governo federal. Tivemos reuniões no Itamaraty e órgãos competentes para elucidar sobre a nossa inicitativa. Viemos em missão certos de que estávamos fazendo o melhor pelo nosso país e pela nossa região.Desta forma, posso apontar vários pontos positivos. Vou me ater aos principais.

NORDESTE – Efetivamente como?

CARLOS BRANDÃO – Unidos, construímos melhor os nossos objetivos de investimentos para o Nordeste. Pudemos mostrar nossos avanços administrativos – como o que conseguimos na educação e na segurança, por exemplo -, é um dos caminhos, onde deixamos claro o esforço feito para melhorar as condições de nossa gente.

NORDESTE – Como dar garantias aos investidores ?

CARLOS BRANDÃO – Este é outro ponto importante a ser marcafo claramente, porque aqui temos a segurança jurídica e a segurança política necessárias para que os empresários não temam mudanças repentinas de humor dos governantes. Aqui, garantimos ao investidor que as regras serão cumpridas. Todos os países visitados foram extremamente receptivos à nossa aproximação, portanto. Teremos muito o que ampliar nas negociações a partir daqui, portanto.

NORDESTE -. Qual o papel do Itamaraty ao acompanhar todas as tratativas?

CARLOS BRANDÃO – Justamente o de nos dar o suporte necessário para legitimar as nossas ações. Governo federal e governos estaduais foram parceiros nesta missão.

NORDESTE – Mesmo o Sr recusando a tese de Ação paralela dos Estados do Nordeste, como definir a postura inusitada dos 9 governos?

CARLOS BRANDÃO – Eu não diria “inusitada”. Eu diria “propositiva”. Afinal, temos que vencer várias barreiras para apresentar um lugar – no caso do Maranhão, e de uma região, no caso do Nordeste -, pouco conhecido do investidor, mas com imenso potencial. O Maranhão registrou o quarto maior aumento do PIB entre todos os estados brasileiros em 2017. Mas, além das qualidades de nosso estado, procuramos unir forças.

NORDESTE – Qual o saldo maior de cada um dos 9 estados admitindo proporcionalidades de tamanho?

CARLOS BRANDÃO – Cada estado possui as suas peculiaridades. Não mensuramos tamanho; mas, experiências, tempo de investimento no mercado externo e política já sedimentada para isso. Posso afirmar que, para o Maranhão, essa semana foi muito especial. Em um evento realizado na sede do ministério da Economia e Finanças da França, organizado pelo Movimento das Empresas da França (Medef), e que reuniu dezenas de empresários franceses, destacamos o potencial de consumo e de desenvolvimento da região nordestina, que reúne 57,1 milhões de habitantes e tem um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 898,1 bilhões, equivalente a 14% do PIB brasileiro. Na Agência de Desenvolvimento da França, discutimos financiamento para projetos estruturantes no Nordeste, como: abastecimento de água; recuperação de matas e rios; e desenvolvimento da agricultura familiar. Ainda na França, no Ministério de Transição Ecológica e Solidária, assinamos um protocolo de cooperação de cidades sustentáveis. Além disso, avançamos para a construção da Rota Azul, que integra os estados do Nordeste na instalação de postos de combustíveis para fornecimento de gás natural líquido para veículos de carga, em uma parceria do Consórcio com a joint venture Global Power.
Na Itália, nos reunimos com a direção do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e fomos recebidos na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Roma. Mais uma vez, mostramos nossas potencialidades e buscamos aproximá-las dos investidores. Falamos muito também sobre inclusão social e meio ambiente. Apresentamos o Consórcio e um mapa de oportunidades de investimentos no Nordeste, inclusive com a perspectiva de abertura de parcerias público-privadas (PPPs), envolvendo projetos que somam R$ 30 bi.
Na Alemanha, estivemos nas sedes dos ministérios da Economia, da Educação e de Cooperação e Desenvolvimento, onde também oportunizamos o funcionamento do Consórcio. Tanto no ministério da Economia como no da Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a questão ambiental foi destacada pelos gestores alemães.
Já no ministério da Educação, nos encontramos com o diretor para Cooperação Internacional em Educação e Pesquisa, Frithjof Maennel. Solicitamos apoio em especial para área de educação profissional e para promover, junto com a Alemanha, intercâmbio de alunos do ensino médio dos nove estados.
Todos estes aspectos foram benéficos não apenas para o Maranhão; mas, para o Nordeste inteiro, como se pode observar. Mas, reforço o nosso potencial logístico e portuário como uns dos diferenciais estratégicos para o Consórcio, além das energias renováveis que também dispomos. Estamos preparados para servir ao Consórcio, com um Maranhão cheio de oportunidades.

NORDESTE – Quem vai representar o Consórcio na próxima reunião da CE-CPLP na cidade do Porto que querem conhecer as potencialidades do Nordeste?

CARLOS BRANDÃO – É algo que estamos definindo.

NORDESTE – Quais as próximas missões e desafios?

CARLOS BRANDÃO – Como desdobramento desta missão esperamos receber, em breve, os representantes dos países visitados a fim de que conheçam pessoalmente o que temos a oferecer. Realizaremos, inclusive, um workshop com esta finalidade, pelo Consórcio, para isso, ainda no primeiro bimestre de 2020. De toda forma, estamos muito confiantes nesse trabalho de prospecção; feito, agora, de forma compartilhada com os demais estados do Nordeste. Assim como acredito muito em resultados positivos em breve, que possam gerar emprego e renda para nosso povo e valorizar nossa terra. Uma terra de gente que se preparara para o que virá com a certeza de que, trabalhando com planejamento e objetivos comuns, estamos construindo, juntos, um Maranhão e um Nordeste melhor para todos nós.

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