menu

Brasil

17/09/2014


Caso Petrobras esquenta debate

Eleições

Engessado pelas regras e morno em boa parte do tempo, debate da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil só esquentou em sua parte final

Oito candidatos à Presidência da República participaram nesta terça-feira (16) de um debate promovido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), na cidade paulista de Aparecida. Com um grande número de participantes e com apenas um bloco destinado ao confronto direto entre os presidenciáveis, a discussão entre os líderes da corrida presidencial ficou dificultada no evento da entidade da Igreja Católica.

Líderes, nesta ordem, da corrida eleitoral, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) não tiveram oportunidade de se confrontar, mas nem por isso deixaram de tecer críticas aos seus adversários diretos. Também participaram do debate Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC).

O único momento realmente quente do debate aconteceu quando se discutiu as denúncias de corrupção na Petrobras, envolvendo PT, PMDB e PP, partidos da base aliada do governo Dilma. Aécio usou o escândalo para atacar Dilma, que se defendeu.

Mas o tucano recebe um ataque duro da candidata do PSOL, que acusou o PSDB de ter começado a corrupção no Governo Federal quando o tucano Fernando Henrique Cardoso estava na Presidência.

O confronto teve início quando Aécio foi questionado pelo Pastor Everaldo sobre o caso Petrobras. "Os brasileiros estão envergonhados, indignados com aquilo que vem acontecendo com a nossa mais importante empresa pública, submetida a sanha de um grupo político que para se manter no poder permitiu que um vale tudo fosse feito na nossa maior empresa", criticou o tucano. Dilma pediu e obteve direito de resposta sobre as denúncias na estatal.

"Ao longo da minha vida eu tive sempre tolerância zero com a corrupção. No caso da Petrobras, eu quero lembrar ao candidato Aécio que quem investigou e descobriu todos os crimes de corrupção foi um órgão do Governo Federal [Polícia Federal]", se defendeu a petista.

Na sua oportunidade de perguntar, Aécio questionou a candidata do PSOL sobre educação, mas acabou sofrendo um ataque duro de Genro. "O senhor fala como se no governo do PSDB nunca tivesse havido corrupção, quando na realidade nós sabemos que o PSDB foi o precursor do mensalão, com o seu correlegionário e conterrâneo Eduardo Azeredo e o PT deu continuidade a essa prática de aparelhamento do Estado que o PSDB já havia implementado durante o governo do Fernando Henrique."

Ela prosseguiu, dizendo que as críticas do tucano ao PT eram "o sujo falando do mal lavado". "Empreiteiras que fizeram o escândalo de corrupção da Petrobras são as mesmas empreiteiras que financiam a sua campanha, financiam a campanha da Dilma, financiam a campanha da Marina. As mesmas também que realizaram as obras superfaturadas da Copa, inclusive aquela que desabou lá em Belo Horizonte", prosseguiu a candidata do PSOL.

Depois de acusar Genro de ser uma "linha auxiliar do PT", Aécio conseguiu também um direito de resposta. "Aprendi muito cedo que a ética e a política devem caminhar quase que como irmãs siamesas. Foi vencendo o radicalismo da candidata que aqui se apresenta sem propostas para o Brasil, construirmos uma obra no Brasil que é respeitada por todos os brasileiros da qual me orgulho imensamente", respondeu o tucano.

Independência do Banco Central

Dilma criticou mais uma vez a proposta de Marina de tornar o Banco Central independente. A presidente chamou a proposição da candidata do PSB de hiperliberalismo.

“De fato a independência do Banco Central é um equívoco, até porque a Constituição só prevê a independência para poderes, como Executivo, Legislativo e o Judiciário”, defendeu Dilma. “Eu sou a favor da autonomia, que o Banco Central seja livre para perseguir as metas de inflação. Mas não independente a ponto de seus diretores não poderem ser demitidos”, completou a petista.

Cadê o programa de governo?

Em suas considerações finais, Marina insinou que Aécio, Dilma e Genro tinham perdido a linha ao discutir o caso Petrobras. "Eu tenho dito que essas eleições não precisam do embate entre os candidatos, que deve ser o debate, o debate de ideias, de propostas, por isso que fizemos um programa, apresentamos esse programa para a sociedade, que está sendo lido pelos adversários, que ainda não apresentaram o seu programa", provocou a candidata PSB.

Aliás, assim como nesse momento, Marina ressaltou em outras vezes que Dilma e Aécio não tinha apresentando seus programas de governo, algo que ela já fez.

Criminalização da homofobia e descriminalização do aborto

Questionado por um jornalista de um veículo católico, Aécio defendeu a criminalização da homofobia, tema que conta com oposição de grande parte das denominações religiosas cristãs. Mas o tucano se mostrou a favor de um projeto de lei diferente do que está no Congresso Nacional.

“Defendo que qualquer tipo de discriminação, em especial a homofóbica, seja tratada como crime. O que precisamos é definir se esse é o instrumento adequado”, argumentou Aécio.

Outro tema caro às denominações religiosas, a criminalização aborto também foi discutida numa pergunta feita ao candidato do PV. Jorge defendeu que a prática deixar de se ser crime.

“A minha posição, eu já falei, é pela revogação dessa lei cruel, machista, que considera criminosas 800 mil mulheres, a maioria delas católicas e evangélicas, que fazem interrupção da gravidez por algum motivo”, defendeu Jorge.

 

(Do iG) 

Notícias relacionadas