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Brasil

28/09/2015


Cientista diz que atraso do Nordeste começou com cultura escravocrata

História

pesar de o Brasil ter começado no Nordeste, um lance do destino deslocou para o Sul e Sudeste o desenvolvimento do país. Afinal, o descobrimento se deu na Bahia, a primeira capitania surgiu na ilha de Fernando de Noronha e muitas das primeiras lutas dos portugueses foram travadas contra holandeses e franceses na região. A economia inicial do país se expandiu a partir do comércio da cana-de-açúcar, vigoroso no Nordeste. No império, o Nordeste era o motor do Brasil e o comércio de exportação que vigorava na época era o açúcar. Um dos marcos da mudança de foco do Nordeste para o Sudeste no desenvolvimento foi a chegada da família real portuguesa, mas não só isso.


O estudioso Leonardo Guimarães, economista e sócio diretor da Ceplan (Consultoria Econômica e Planejamento), explica. “Naquela época, quem determinava o crescimento da economia era o setor exportador. O Nordeste exportava açúcar e foi daí o grande crescimento que ocorreu. Depois as coisas foram mudando com outros ciclos exportadores, teve o ouro e depois o café. A coisa não foi apenas o fato da vinda da família real”. Guimarães alerta que o próprio Celso Furtado aponta as mudanças dos ciclos econômicos como a seara do desenvolvimento. Por esta ótica, a dinâmica do desenvolvimento começou a mudar quando foi iniciado o ciclo do ouro. O novo ciclo econômico tirou a capital de Salvador e a levou para o Rio de Janeiro, cidade mais próxima de Minas Gerais – onde se concentravam boa parte das minas. Contudo, segundo o professor, a força da economia do Sudeste advém do ciclo de café, que foi muito mais impulsionador.


“Daí saiu com mais facilidade o processo de industrialização. O Nordeste começou com grande impulso na economia do açúcar, depois essa economia do açúcar começou a reduzir a sua importância relativa. O ciclo do ouro foi muito importante para o Rio e Minas, depois o grande ciclo do café em São Paulo. Nesse período tinha um estado estruturado, com mão de obra assalariada, não mais escrava, que criou um mercado interno. Isso consolidou o desenvolvimento. Depois eles (esses estados) começaram a produzir internamente os produtos que antes eram importados. Só a partir da consolidação do estado brasileiro, é que entra em importância o poder do Estado (em fomentar o desenvolvimento) que teve um impulso muito grande com Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek”, frisa.


“A indústria a partir do século XX se consolidou em torno desse mercado iniciado no Sudeste, no Rio, São Paulo e a partir dai para outras regiões. As desigualdades regionais estão associadas em grande parte aos ciclos exportadores e suas dinâmicas. Isso está bem descrito no livro de Celso Furtado, a “Formação Econômica do Brasil”. Ele percorre cada um desses setores exportadores e explica como tiveram fases mais dinâmicas e foram se arrefecendo e como a indústria saiu do mercado do café onde as relações eram mais modernas que a relação dos ciclos anteriores”, assegura Guimarães.


Assim, segundo o economista, nasceu a semente da grande diferença regional que existe hoje. Enquanto a economia do nordeste estava calcada no trabalho escravo, ao invés do assalariado, e em culturas cada vez mais com menor valor agregado, no caso a cana-de-açúcar e a criação pecuária extensiva, o ciclo do café, a abolição da escravatura e a chegada de imigrantes vindos da Europa propiciaram uma industrialização do país a partir de uma economia cada vez mais pungente no sudeste. Uma economia muito mais dinâmica, e de mercado, que os setores anteriores fomentados no Nordeste.  

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Paulo Dantas – Revista Nordeste

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