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Brasil

06/05/2016


Ciro: decisão contra Cunha é ‘irrespondível’

O ex-ministro Ciro Gomes celebrou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato e da presidência da Câmara, e considera um erro "relativizar" a sentença, considerando-a tardia, por exemplo. "A decisão é importante de per si. Não é fácil, e não há um único precedente do Supremo Tribunal Federal de fastar um deputado de seu mandato", afirmou, durante debate realizado na noite de ontem (5) no Teatro Oficina, no bairro da Bela Vista (Bexiga), na região central de São Paulo, convocado pela rede Mídia Ninja.

"Hoje (quinta) é um dia de comemorar, sem achar que o céu é perto", acrescentou Ciro, que chegou a chamar Cunha de "psicopata" e "bandido-mar", lembrando que, quando deputado, anos atrás, já se dirigiu a ele em plenário como "ladrão". Segundo o ex-ministro, Cunha – por interesses empresariais – tinha a prática de incluir em emendas os chamados "jabutis", assuntos sem relação com o tema principal.

Ciro disse ter lido todo o parecer do ministro do STF Teori Zavascki. "É irrespondível", avaliou, apontando o risco de a decisão causar certa "desmobilização" na sociedade. Para ele, "parte importante da elite brasileira" já pensava em "entregar a cabeça" de Eduardo Cunha.

Também no debate, o produtor cultural Claudio Prado também disse considerar Cunha um psicopata, "no sentido de que volta ao local do crime como se não tivesse a ver com aquilo". Ele avalia que a decisão do STF pode ter a ver com o fato de alguns ministros começarem "a pensar em sua biografia jurídica". Mas acrescentou que não se trata de um problema só brasileiro: "O (Donald) Trump é candidato à presidência dos Estados Unidos".

A filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro disse ter sido uma das pessoas que não viram motivo de comemoração na decisão do STF. E afirmou que existe ainda muito "romantismo" em torno da periferia, onde "muita gente apoia o golpe" e só se informa pela Rede Globo. "Muitas pessoas que serão atingidas comemoraram a decisão da Câmara", acrescentou, referindo-se à sessão de 17 de abril que aprovou a continuidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, agora em discussão no Senado. "Muitos estão reproduzindo um discurso que irá prejudicá-los."

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