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Brasil

11/01/2016


Ciro e Cid Gomes são a tentativa de PDT e PT continuarem no poder, diz Buarque

Acuado dentro do próprio partido, o PDT, o senador Cristovam Buarque (DF) estuda se troca de legenda ou se termina o mandato sem filiação. O político faz duras críticas às movimentações feitas pelo PDT nos últimos anos, inclusive à recém-filiação dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

Em entrevista ao iG, o parlamentar diz que Ciro e Cid, ambos ex-ministros, "não representam o sentimento de transformação que o Brasil quer". Para Buarque, o partido que representava os ideais do fundador Leonel Brizola é hoje "acomodado e agarrado ao PT".

"Eu acho que [o ingresso dos Gomes no partido] é a tentativa de o PT, junto com o PDT, continuar no governo, apesar da decadência do Partido dos Trabalhadores. É a afirmação do continuísmo, em vez de ser a proposta de uma mudança de transformação do Brasil", avalia.

Antes filiados ao PROS, os irmãos Gomes entraram no PDT em outubro de 2015. Em dezembro, o partido lançou a pré-candidatura de Ciro à Presidência da República em 2018. Nos últimos meses, Carlos Lupi, presidente nacional da legenda, tem feito algumas viagens com ele para defender a permanência de Dilma Rousseff no poder.

De acordo com Buarque, Lupi tem dito nos últimos dois anos aos seus correligionários que está se afastando do partido de Lula e Dilma para que possa "oferecer um rumo para o Brasil". Segundo o senador, porém, "cada vez que ele ameaça isso, o governo oferece um ministério, e aí todo descontentamento com o governo desaparece".

O senador cita como exemplo a indicação do deputado federal André Figueiredo (CE) para o Ministério das Comunicações, em outubro passado. "Ele [Figueiredo] próprio liderou um movimento da bancada para sair do governo. A bancada de deputados se declarou fora da bancada do governo. Na hora em que se oferece um ministério, volta a ser a bancada mais governista do que o próprio PT", analisa.

Na opinião de Buarque, as duas siglas são responsáveis pela situação pela qual o País se encontra atualmente, de "economia em decadência, caos social e política desorientada".

"Nunca talvez o Brasil tenha precisado tanto de participação política, de presença política, o que faz com que nós, com mandato, tenhamos a obrigação muito grande de procurar um caminho para o Brasil. E eu tenho plena convicção, hoje, de que o PDT não vai ajudar a procurar um novo caminho para o Brasil."

O senador afirma que ainda não tomou uma decisão sobre o seu futuro partidário, mas que tem conversado com lideranças do PDT, de outros partidos e com a sua própria base no Distrito Federal. Ele diz que é preciso buscar uma legenda que seja vista como "elemento de transformação" do Brasil.

Uma das hipóteses seria terminar o mandato sem partido: "É a outra alternativa: sair da politica. Me licencio, não entro em nenhum partido, fico independente até terminar o mandato, e considero que a missão foi cumprida".

Buarque pondera, no entanto, que em um momento de desemprego crescente, "inflação acima de 11%, educação destruída e Estado desorganizado", deixar a política mais atuante seria uma "irresponsabilidade". "Mas, para essa responsabilidade ser levada com seriedade, eu tenho de ter um veículo que permita ajudar o Brasil a mudar", discursa.

O senador não adianta com quais legendas está em negociação. Nas próximas semanas, pretende finalizar as conversas e tomar uma decisão. "Uma decisão dessa a gente não pode comunicar antes de grandes conversas dentro do partido, das minhas bases. Tem gente que veio para o PDT por minhas mãos", explica.

Procurado pelo iG, Ciro Gomes disse que não comentaria as afirmações do senador.

IG

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