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Esporte

24/07/2015


COB usa juventude e concorrência para explicar risco de não cumprir meta

Faltam dois dias para o fim dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o COB (Comitê Olímpico do Brasil) resolveu antecipar para esta sexta-feira o balanço da participação do país no evento, que segue abaixo da meta estabelecida. O motivo, segundo a entidade, é a viagem do presidente Carlos Arthur Nuzman a uma reunião do COI (Comitê Olímpico Internacional) a Kuala Lumpur, na Malásia.

A pouco mais de um ano para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o COB havia projetado para este Pan um aumento no número de pódios em relação a Guadalajara-2011: 141. Mas até o encontro marcado entre dirigentes e jornalistas no Centro de Mídia em Toronto, o Brasil havia conquistado 121 medalhas, sendo 34 de ouro, 14 a menos do que há quatro anos. Ou seja, o país precisaria ser avassalador nesta final para pelo menos igualar os números.

Leia também: Brasil luta de todas as formas para aumentar conta de campeões

Questionado sobre o possível não cumprimento da meta, Marcus Vinícius Freire, superintendente do COB, preferiu dizer que a projeção do Brasil para o Pan de Toronto era outra. "Não concordo com a afirmação. Não ficamos abaixo, nossa meta é o top 3 do quadro de medalhas e neste momento estamos nela. As medalhas também se diluíram mais entre os países", justificou. "Metas têm de ser traçadas, têm de ser difíceis, mas factíveis. Não pode ser simples. Seja qual for o resultado final, vamos ter a tranquilidade de dizer que fizemos o melhor trabalho e demos a melhor condição possível para os atletas. A meta é difícil, mas factível. Quando não alcançada, é só sentar e explicar os motivos", completou.

Isaquias Queiroz foi um dos jovens atletas que correspondeu no Pan
Sergio Dutti/Exemplus/COB
Isaquias Queiroz foi um dos jovens atletas que correspondeu no Pan


No quadro de medalhas de Toronto, o Brasil está atrás de Estados Unidos (83 ouros) e Canadá (69), e foi ao topo do pódio seis vezes mais do que Cuba até o início da tarde desta sexta, mas o país da América Central está garantido nas finais das dez categorias do boxe, além de outras chances de vitória que tem no atletismo, o que ainda deixa equilibrada a disputa pelo lugar no top 3.

Na contagem por total de medalhas, a preferida do COB na hora de analisar resultados, o Brasil não sofre grande ameaça de Cuba – 121 contra 80, até o início da tarde desta sexta-feira. "Defendemos a contagem por total de medalhas em respeito aos atletas que ganham prata e bronze", ressaltou Carlos Arthur Nuzman, que fez usou a Guatemala como exemplo para reforçar a tese – o país conseguiu apenas nove pódios no Pan de Toronto, mas faturando seis ouros. "Melhorou muito, mas não está em condições de competir com os outros países em diversidade de modalidades", completou.

Superar a campanha de Guadalajara era, na visão do COB, uma forma de demonstrar força para os Jogos Olímpicos em casa, em que o Brasil almeja o top 10 do quadro de medalhas – em Londres-2012 ficou em 22º em número de ouros (três) e 16º no total de pódios (17). Seria também uma maneira de exaltar os altos investimentos nesta etapa do ciclo olímpico. Apenas por meio da Lei Agnelo-Piva, que reserva 2% da arrecadação das loterias ao esporte, as confederações de modalidades olímpicas receberão da entidade R$ 117,7 milhões, um aumento de 17% em comparação ao arrecadado em 2014.

A juventude da delegação brasileira no Pan de Toronto foi ressaltada no balanço do COB, como um processo de amadurecimento visando os Jogos Olímpicos. Dos 590 atletas classificados, 70% disputam a competição pela primeira vez. "Eu sei que vocês podem perguntar de resultados que não corresponderam. Isto é um ponto de atenção e vamos conversar com as confederações para ver quais pontos melhorar. Ninguém nasce campeão mundial de futebol ou medalhista olímpico sem passar por várias etapas da vida de atleta", avisou Nuzman.

Entre os pontos altos da campanha brasileira até o momento estão o desempenho da canoagem – da equipe de slalom, com pódios nas cinco provas inscritos, e de Isaquias Queiroz, dois ouros na velocidade -, as duas pratas no badminton e os dois bronzes no ciclismo pista, ambos inéditos, e as performances individuais do patinador Marcel Strumer (primeiro homem brasileiro tetracampeão do Pan) e do nadador Thiago Pereira (recordista de pódios na história do evento, com 23).

IG

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