menu

Cultura

21/06/2016


Com boa música e ideias inovadoras Grandphone Vancouver se destaca no NE

De Campina Grande

Por Fabrícia Oliveira

Regado a emoções atemporais, a banda Grandphone Vancouver ultrapassa o limite do pensamento criativo a cada novo projeto. Não foi diferente com ‘A Rush Through The River’, última música que homenageou o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, falecido há 22 anos. Ao procurar ser fiel ao próprio coração, o Grandphone tocou o mais íntimo anseio dos fãs do Senna com o videoclipe no qual o campeão sai vivo da corrida histórica. “Eu não era um fã inconteste de Ayrton Senna, eu não conhecia muito o trabalho dele”, disse Fernando Ventura, 30 anos, músico idealizador e compositor do Grandphone Vancouver.


Ventura afirma que a ideia do clipe com o Ayrton Senna surgiu através de uma conversa com um amigo. “Estávamos falando sobre sonhos, sobre projetos para o futuro. E ele me disse: ‘cara, você fala com tanta verdade sobre aquilo que acredita que isso que você está falando é a letra de uma música. Ela deveria ser ‘acredite nos seus sonhos’. Achei essa temática interessante, comecei a compor a música e nessa primeira parte da composição, tinha uma frase que eu tinha lido naquela semana, que falava, ‘prove todos os dias porque você está nessa cidade, faça alguma coisa’. Então fiz uma pequena estrofe e como era noite, eu estava muito cansado, fui dormir. No outro dia já descansado, percebi que eu não conseguia fluir a música, tinha um momento em que eu já não conseguia mais progredir a música, não conseguia mais compor. E aí eu pensei, pô, qual o cara, qual homem celebrou os seus sonhos a ponto de exprimir ele em vitórias e conquistas? Desse momento para cá minha vida mudou completamente, o nome que veio à minha cabeça foi Ayrton Senna”.


Fernando contou que para progredir a música, ele abria o computador e via imagens de Senna correndo, ganhando prêmios e aquilo o inspirava. “A parte inicial da composição é uma conversa para mim, para o futuro e metade da música em diante é uma inspiração, ela é uma canção inspirada pelo Ayrton. Eu compus durante três ou quatro dias, escutando o Ayrton, vendo o Ayrton, então nada mais genuíno do que fazer com que esse clipe fosse uma homenagem realmente”, argumentou Fernando. Para ele, os projetos do Grandphone têm a intenção de fazer algo diferente. “Naturalmente surgiu a ideia de fazer com que ele saísse do carro, uma ideia que aparentemente é simples, mas ela tem um objetivo muito maior, ela tem a sensibilidade de fazer com que as pessoas despertem o Ayrton adormecido no coração de cada um”.


Para executar a façanha, a banda reconstruiu o capacete e o macacão utilizado por Senna na corrida da Itália, além de utilizar um ator e computação gráfica para alterar o resultado da trágica corrida de 1º de maio de 1994. Graças a bela música e ao artifício utilizado, o vídeo clipe já recebeu milhares de visualizações e comentários tanto no Facebook como no canal da banda, e levou o Instituto Ayrton Senna a compartilhá-la. Quando o Instituto entrou em contato com a banda foi uma alegria incomensurável, informa Ventura. “É importante porque é como se tivesse um carimbo ali, dizendo: oh, a gente gostou disso e a gente faz questão de compartilhar. E são seis milhões de pessoas na comunidade do Ayrton, lógico que eu queria que chegasse a seis milhões, não por mim, mas por eu saber que o verdadeiro fã do Senna adoraria ver aquela notícia”. Hoje cerca de meio milhão de pessoas já visualizaram o clipe. São mais de mil mensagens, mais de dez mil curtidas.

Mente pulsante criativa

Cena de Miss Me, sucesso imediato e reconhecimento

Nascido em Campo Formoso, na Bahia, e radicado em Campina Grande, na Paraíba, Ventura afirma que suas maiores influências são Coldplay e Radiohead. O primeiro trabalho artístico teve uma grande repercussão. Era um projeto de conclusão do curso. Para isto foi criada a Grandphone Vancouver a e a música ‘Miss Me’. “Quando ‘Miss Me’ aconteceu foi um projeto de pouca grana, pouco investimento, mas muita vontade”, conta. O clipe, feito em uma avenida de Campina, mostrava a evolução dos vídeoclipes no decorrer dos anos e foi sucesso quase imediato. Ganhou prêmios importantes, como melhor videoclipe do ano, pelo Music Video Festival, e agora é peça de Museu na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. “Participar de uma peça de Museu de uma categoria tão importante como é a música dentro da cultura americana, é um aval, é tipo portas abertas para que se desenvolva esse projeto. ‘Miss Me’ foi um viral”, afirmou. “Miss Me é a primeira música gravada em inglês. Depois de produzida por mim, eu contei com a produção musical de Giordano Frag que é um cara de Campina Grande, tem uma sensibilidade muito aflorada e é parte fundamental na textura que a música acabou tomando”.


Segundo Ventura, para além de Miss Me há, a tentativa de superação em cada trabalho, isso é bastante pertinente ao Grandphone Vancouver. “Eu acho que a ‘A Rush Through The River’, por exemplo, já apresenta talvez não tecnicamente falando, mas emocionalmente falando, ela adquire um outro corpo e isso contribuiu muito para que ela acontecesse, para que o clipe do Ayrton acontecesse”.
 

A vida é longa o suficiente

Fernando Teixeira vive o super-heroi Grandman, golpe de marketing

Outra criação de sucesso da banda foi a música Life Is Long Enough – L.I.L.E (A vida é longa o suficiente – Lile). Ventura conta que busca trabalhar um conceito naquilo que faz, e para Lile, procurou trabalhar com pessoas que tivessem idade mais avançada, mas ainda com gás ou força para lutar. O ator Fernando Teixeira foi o protagonista do videoclipe do super-herói ‘Grandman’. O diferencial do videoclipe foi trazer para Campina, duas semanas antes do lançamento, um “super-herói” rodando pela cidade, salvando pessoas. As histórias foram sendo divulgadas nas redes sociais e portais. “Isso foi muito interessante porque gerou uma pré-visualização daquilo que seria o videoclipe”.


A banda que compõe apenas em inglês, sente que o alcance que sua música pode atingir tem um potencial muito maior. Contudo, hoje o consumo não passa de um nicho bem reduzido. “O trabalho precisa se tornar algo rentável. Uma parte do público é sedenta a novas perspectivas de músicas e recebe muito bem isso, mas é um nicho muito pequeno. O que eu faço em Campina não está próximo da grande massa”, desabafa Ventura. A ideia é mesmo levar a mensagem a um maior público.


“O som do Grandphone é muito pertinente a música britânica, ao pop music. O próximo passo é justamente explorar esse universo de música comercial. Ele precisa ganhar notoriedade, precisa colocar o seu nome dentro de uma lista das quais compõem muitas bandas, até bandas pequenas, mas o Grandphone precisa se firmar nesse mercado”, entende.

A banda mantém configuração inicial de integrantes
 

Confira os vídeos:

 

 

 

 

 

 

Clique aqui e confira a Revista NORDESTE na íntegra.

A revista está disponível para download para IOS e Andraoid, também gratuita

Google Play: https://goo.gl/2s38d3
IOS: https://goo.gl/WeP5eH

Notícias relacionadas