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Economia

21/03/2016


Comércio exterior aquecido movimenta investimento portuário no Nordeste

Na Revista NORDESTE

Por Paulo Dantas

A balança comercial brasileira registrou em 2015 superávit nas transações comerciais do Brasil com o resto do mundo de US$ 19,69 bilhões. Foi o maior valor desde 2011, quando o superávit comercial somou US$ 29,79 bilhões. Evidentemente que o resultado foi influenciado pelo dólar alto que torna as vendas externas mais baratas, as importações mais caras e pelo baixo nível de atividade econômica brasileira. Com a economia brasileira em recessão as importações desabaram 24,3% em 2015. Para 2016, a previsão dos analistas é de um superávit de US$ 37,4 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior. O Ministério do Desenvolvimento estima um superávit de cerca de US$ 35 bilhões.


O momento é bom para quem investe em portos, afinal, o setor tem recebido impulso através do Programa de Arrendamentos Portuários inserido no Plano de Investimento em Logística – Portos (PIL-Portos) lançado no ano passado. A previsão é que R$ 15,8 bilhões sejam investidos até o ano 2017, envolvendo áreas nos portos públicos mais importantes e estratégicos do país. Além disso, a partir da nova Lei dos Portos, o governo retomou as autorizações para Terminais de Uso Privado (TUP) e outras instalações portuárias. A intenção é somar esforços para garantir a infraestrutura necessária ao escoamento da produção.


“O bom desempenho das exportações é um estímulo para a competitividade e propicia fôlego para o país em um momento tão delicado da economia. As empresas nacionais ou internacionais que atuam na logística no Brasil demonstram uma perspectiva positiva para o desenrolar deste ano”, pontua Ricardo Barbosa, gerente da Intermodal South America, uma das maiores feiras de logísticas do pais na área de portos, a ser realizada em abril.


Barbosa também chama a atenção para o efeito da valorização do câmbio na indústria nacional. De acordo com ele, a desvalorização do real (cotado em torno de R$ 3,90) permite a inserção dos produtos brasileiros no mercado internacional. “A taxa cambial influenciou os resultados da balança, favorecendo as exportações e garantindo demanda internacional para a produção local”. A opinião coincide com a análise feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, que declarou em entrevista na edição de dezembro da Revista NORDESTE que a exportação é o caminho para a retomada do crescimento do Brasil.


Desta forma, o setor portuário brasileiro começou 2016 com mais de R$ 2 bilhões em concessões para investimentos privados. O aporte, feito por grupos empresariais interessados na construção de terminais de uso privado em pontos estratégicos do país,  é importante para manter aquecido o setor que ainda carece de estrutura para gerar ganhos de eficiência e reduzir custos com a importação e exportação. Além dos investimentos anunciados em janeiro de 2016 a Secretaria dos Portos planeja ainda publicar outros 21 editais para arrendamentos neste primeiro semestre.


Em termos de investimentos privados, o estado do Maranhão foi o primeiro a receber a autorização do governo para que a WPR São Luís Gestão de Portos e Terminais – do grupo WTorre – possa investir R$ 780 milhões na construção do quarto Terminal de Uso Privado do estado. Para o ministro da Secretaria de Portos (SEP), Helder Barbalho, o investimento poderá incrementar a movimentação de carga da região. O novo terminal terá prazo de implantação de três anos, prorrogável por igual período, a critério da SEP. A futura unidade portuária será erguida em uma área de 2,190 milhões de metros quadrados e terá capacidade de movimentação de granel líquido, sólido e carga geral de até 24,8 milhões de toneladas por ano.


“São investimentos que vão gerar emprego, renda e o fortalecimento econômico do Maranhão”, afirmou o ministro. O contrato tem vigência de 25 (vinte e cinco) anos, contados da data da assinatura, e é prorrogável por períodos sucessivos, como previsto na Lei dos Portos (Lei n.º 12.815), de 2013. De acordo com o presidente da WTorre, Walter Torre, esse porto está gerando interesse nas grandes empresas.


“Vamos exportar por um preço 40% abaixo do que o grão está saindo hoje”, contou ele. E comentou sobre a assinatura do contrato: “Essas assinaturas representam pelo menos 5 mil empregos diretos, 5 mil famílias que terão outro destino”. O presidente disse ainda que os R$ 780 milhões são apenas a primeira fase da obra no Porto de São Luís, que receberá investimentos totais superiores a R$ 1,7 bilhão. Há ainda quatro solicitações já concedidas para instalação de Terminal de Uso Privado (TUP) no estado.


Além deste, estão previstos outros investimentos, agora na Bahia. O TUP da Bahia será um investimento de R$ 850 milhões a ser feito pela Bahia Terminais S.A. no município de Candeias. O futuro terminal terá capacidade de movimentar 3,615 milhões de toneladas por ano de carga geral. O TUP será construído em uma área de cerca de 286,7 mil metros quadrados e terá prazo de implantação de 3 anos, prorrogável por igual período, a critério da SEP.

Suape bateu recordes em 2015

O Porto de Suape, no Recife, encerrou o ano de 2015 batendo recorde de exportação, com 1,031 milhões de toneladas, uma alta de 92% em comparação com as 537 mil toneladas de 2014. Manteve-se à frente dos 17 portos públicos do Norte e Nordeste na movimentação de contêineres em 2015, seguido do Porto de Salvador, e liderou a exportação de granéis líquidos entre os 37 portos públicos do país, superando o Porto de Santos. Foram 14,24 milhões de toneladas movimentadas no Recife contra 11,02 milhões de toneladas em Santos. Toda a movimentação de cargas rendeu ao Porto de Suape um recorde também em faturamento, com R$ 149,40 milhões, um crescimento de 33,7% em relação a 2014, quando Suape registrou R$ 112,27 milhões.

Maior feira do setor

A 22ª edição da Intermodal South America acontece nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, e reunirá mais de 600 marcas nacionais e internacionais, de 25 países, representantes das mais diversas vertentes da cadeia, como transporte de cargas marítimo, rodoviário, aéreo e ferroviário; terminais; portos; agentes de carga; operadores logísticos; TI e serviços relacionados ao transporte nacional e internacional de carga.
Na busca pela eficiência operacional e redução de custos, a solução das empresas é investir em logísticas desenhadas à risca para as suas demandas. "Neste sentido, a Intermodal South America é o único evento a congregar todos os elos da cadeia de distribuição e do transporte, com experts da logística capazes de definir a melhor combinação de empresas, tecnologias e serviços para embarcadores dos mais diferentes segmentos de atuação", informa Ricardo Barbosa, gerente da feira. De acordo com os organizadores, a previsão é que cerca de 50 mil profissionais das áreas de embarque de cargas, transporte; logística, armazéns, importação e exportação, atacado, varejo e outras visitem a feira este ano. Além da feira que será realizada das 13h às 21h, o evento traz um programa de conferências durante os três dias da Intermodal (5, 6 e 7/4), sempre a partir das 9 horas, para debater assuntos que influenciam diretamente o desenvolvimento dos setores de transportes, logística e comércio exterior.
 

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