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17/02/2019


Confirmado: águas do São Francisco devem chegar ao CE no próximo semestre

CINTURÃO DAS ÁGUAS é estrutura que vai levar águas do São Francisco de Jati ao Castanhão

Espera que se arrasta há mais de uma década, a chegada das águas da Transposição do Rio São Francisco ao Ceará está prevista para meados do segundo semestre de 2019. A nova data foi anunciada por Gustavo Canuto, ministro do Desenvolvimento Regional, após reunião com o governador Camilo Santana, na manhã de ontem. A conclusão das obras ocorrer até maio, quando a água no Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), no reservatório de Negreiros, em Salgueiro (PE), será bombeada para alcançar o reservatório de Jati, no Cariri, o primeiro no Estado, e fazer a ligação ao Cinturão das Águas do Ceará (CAC).

Esse é, pelo menos, o quarto adiamento do prazo nos últimos dois anos. O atraso mais recente se deu por conta do vazamento em um dique na última estação de bombeamento do Eixo Norte do Pisf — o EBI 3 — acionada em junho de 2018.

“A obra está em execução. A previsão que empresa responsável nos deu é que acabe em maio deste ano e, a partir de então, a gente comece a bombear água para o Eixo Norte e a água vai seguir seu curso até chegar em Jati e comunicar com o CAC. A previsão é que, se não houver nenhum imprevisto ao longo dos enchimentos dos reservatórios pelos canais, isso chegue no segundo semestre. No meio ou final do segundo semestre”, explicou Canuto. Ele ressalta a dificuldade de “saber se as estruturas que estão prontas vão suportar e levar essa água”.

O orçamento necessário para continuação das obras é de R$ 286 milhões. Segundo ele, ainda será necessário que o Governo Federal invista R$ 100 milhões para alcançar esse valor.

O custo de operação do Eixo Leste é superior a R$300 milhões ao ano. Com o início do funcionamento no Eixo Norte, o valor estimado supera os R$600 milhões. Uma das pautas da reunião com Camilo foi o convite para participação do governador na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Advocacia Geral da União (AGU), que definirá o contrato de operação comercial do Pisf. Um dos objetivos é reduzir os custos do funcionamento, que deve ser rateado entre União e estados beneficiados.

Uma das “modelagens possíveis”, aventada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), atual operadora federal, é um consórcio interestadual. “Há um processo em curso no BNDES, já foi contratado. A previsão é que as alternativas cheguem para nós já em maio. Para ocupar a área lateral ao canal para produção de energia fotovoltaica”. A energia seria utilizada para as bombas e o excedente seria vendido ao mercado, de acordo com o ministro.

Para Camilo, discutir a sustentabilidade da operação do Pisf é fundamental. “Devemos buscar todas as alternativas possíveis, como a energia fotovoltaica. Porque quase 70% ou mais do custo operacional é energia. Se a gente conseguir baratear a energia, consegue baratear o custo”, frisou.

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