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Brasil

09/08/2016


Cristovam Buarque votará contra Dilma por “crime pequeno”

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que era considerado um dos indecisos, anunciou nesta terça-feira que votará pelo afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. "O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) terminou seu parecer demonstrando que houve crime. Eu vejo até que foi um crime pequeno, mas foi um crime", disse ele, em entrevista a Mariana Haubert.

Na prática, Cristovam afirma que Dilma está caindo por não conseguido lidar com o Congresso – ou seja, com as chantagens de Eduardo Cunha & companhia, o que, na sua visão, justificaria seu afastamento. "A presidente Dilma só conseguiu isso porque não soube fazer o trabalho parlamentar. Faltou ter o respeito ao Parlamento. Ao desrespeitar, paga-se o preço", afirma.

Curiosamente, o parlamentar votará a favor de um governo que elevou o rombo fiscal em mais de R$ 100 bilhões, embora o desequilíbrio orçamentário tenha sido o pretexto para afastar Dilma. Apesar de ter estado com Dilma por 12 anos, vejo que Temer pode trazer algo novo. Acho que ele tem mais condições de reequilibrar o processo econômico, barrar a inflação. Mas também me preocupo porque está gastando muito. Embora eles digam que tudo isso estava previsto, eu acho que eles estão abrindo um flanco muito perigoso", afirma.

Considerado golpista por seus próprios eleitores, Cristovam foi alvo de um protesto inédito no Brasil, sendo alvo de uma "desvotação."

Além disso, dias atrás, o escritor Fernando Morais também devolveu um prêmio concedido pelo governo do Distrito Federal, dizendo não querer guardar nada de "golpista".

Cristovam admitiu ter perdido prestígio no exterior e ter recebido cartas de grandes personalidades, que condenam sua adesão ao golpe. "É onde realmente eu estou perdendo, é no prestígio que construí no exterior: as cartas que recebo de grandes personalidades. Lá fora fica a impressão de que estão tirando a presidente", diz ele.

Cristovam pode ter anunciado seu voto por pressão do governo provisório. O interino Michel Temer, rejeitado por 79% da população, segundo pesquisa Vox Populi, ameaçou os senadores, dizendo que só terão benesses em seu governo aqueles que votarem hoje pelo golpe já na pronúncia do impeachment, prevista para ocorrer hoje.

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