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Economia

25/05/2015


CUT acusa Eduardo Cunha de barrar sindicalistas e é rebatida pela Força

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de proibir a entrada dos integrantes da entidade no plenário da Casa nas sessões de votações das medidas provisórias 664 e 665 (que alteram direitos trabalhistas e previdenciários) e do projeto de lei 4330 (terceirização).

"Nós fizemos uma denúncia contra o preconceito do Eduardo Cunha, pela discriminação das pessoas que querem o acesso à Câmara", afirma Vagner Freitas, presidente nacional da CUT – central alinhada politicamente ao PT, partido ao qual Cunha tem feito oposição, desobedecendo a orientanção de sua leganda, que é da base aliado do governo.

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O presidente da Câmara tem dito entre seus pares na Câmara que a CUT não vai ao plenário porque não quer. O iG tentou falar com Eduardo Cunha, mas não conseguiu.

Além disso, o presidente da CUT afirma que há um beneficiamento da Força Sindical (FS), central alinhada politicamente a Cunha, tendo como elo o deputado Paulo Pereira da Silva (fundador do partido Solidariedade, o Paulinho da Força, ex-presidente da central). Paulinho nega as facilitações na Câmara para colocar manifestantes nas galerias da Câmara nos dias de votação de projetos ligados a direitos trabalhaistas. Segundo o deputado, a CUT não vai ao plenário porque não quer.

"Eles fugiram do pau. Estão puxando saco da Dilma e não estão indo lá atuar contra as medidas. Mas se quiserem ir lá [à Câmara] na semana que vem [quando as medidas voltam a serem votadas] eu dou ingresso para eles", ataca Paulinho.

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O deputado explica que a a divisão das senhas foi feita com os representantes dos partidos e que ele pediu aos partidos que não iriam utilizar que repassassem as senhas. "Por isso conseguimos mais lugares. Mas a CUT não estava lá. O [deputado] Vicentinho [PT-SP e ex-presidente da CUT] estava lá e poderia ter pedido também. Não há desproporcionalidade. E a decisão não foi do Eduardo Cunha, foi feita pela mesa, com todas as lideranças dos partidos."

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tem aprovado votações contrárias aos interesses do governo federal
Agência Câmara
Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tem aprovado votações contrárias aos interesses do governo federal

 

 

Vagner Freitas reivindica que a CUT tenha acesso à Casa em todas as ocasiões. "Mas quando está sendo votada alguma coisa que tem impacto na mídia e que é proposta dele [Cunha], e ele concorda, o presidente da Câmara abre as galerias para quem vai votar com ele. Quando a proposta não é dele e ele não concorda, ele simplesmente fecha as galerias", afirma o presidente da CUT. "Na questão das medidas provisórias 664 e 665 eles deram 25 senhas para gente e tinha três, quatro, cinco vezes, mais gente de outra central sindical [Força]", diz Freitas.

A CUT, segundo Freitas, foi até o Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir uma habeas corpus que garantisse a CUT o acesso as galerias, o que Cunha teria descumprido. "A nossa executiva tentou ir às galerias e o presidente não permitiu. Não é possível que a gente vá regredir o Brasil de maneira que você tenha um déspota que determina de maneira autoritária e ditatorial o acesso do povo à casa do povo."

Segundo a CUT, a polícia legislativa proibia acesso afirmando que as galerias estavam lotadas. No STF, a ministra Rosa Weber concedeu uma liminar que garantia a entrada de dirigentes que fazem parte da direção executiva da CUT. Com a liminar na mão, diz Freitas, demorou mais de uma hora para Cunha autorizar a entrada do pessoal da executiva. Quando passaram o primeiro portão, outro segurança pedia o RG, conferia o nome na lista da liminar, mandava deixar celular, bolsa, caneta e papel num guarda-volumes e liberava a entrada.

Na sexta-feira (29), a CUT fará o Dia Nacional de Paralisação, em protesto contra o projeto de terceirização (aprovado na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei 4330 e que agora tramita no Senado como PLC 30) e as MPs 664 e 665, que restringem o acesso ao abono salarial, auxílio-doença e seguro-desemprego e o ajuste fiscal.

IG 

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