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Brasil

07/10/2016


Delatores põem pressão em ação no TSE que pode derrubar Temer

A ação no Tribunal Superior Eleitoral que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, e pode provocar novas eleições presidenciais, caso seja julgada neste ano, ou eleições indiretas, caso fique para 2017, avançou com o depoimento de diversos delatores, que disseram ter feito doações eleitorais a partir de contratos superfaturados.

É o que aponta reportagem de Marcio Falcão e Lívia Scocuglia, no portal Jota. Foi o caso, por exemplo, de Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, que relatou cobranças de 2% para o PMDB e 1% para o PT nos contratos de Belo Monte e Angra 3.

“Nós estávamos ali sendo garfados em alguns milhões; uma parte foi para o Delfim [Netto] e uma parte foi para partidos políticos”, disse ele, que falou em doações de R$ 104 milhões em 2014. “O PMDB teve uma doação total de vinte e pouco milhões também em 2014, parte do recurso do PMDB veio de Belo Monte. Parte dos recursos do PT veio de Belo Monte”.

O executivo Flávio David Barra, também da Andrade Gutierrez, apontou que doações foram propinas. Segundo ele, a porcentagem distribuída era a seguinte: 2% para o PMDB, 1% para o PT e em torno de 1,5% distribuídos entre executivos da Eletronuclear.

Questionada do valor “elevado” de 4,5% de propina, Barra afirmou que para que o contrato não sofresse intempéries adicionais, se aceitou compor esse acordo. “Devo ter feito alguma coisa em torno de 4 milhões só para o ministro Lobão – de 4 a 4,5 a 5 milhões”, afirmou.

Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, também citou o ex-ministro Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha presidencial, que foi eleito prefeito de Araraquara (SP). “O Edinho me ponderava que, por seu ser, primeiro um grande fornecedor da Petrobras, com grandes contratos lá, o status quo que continuasse exigia que eu colaborasse mais. Isso é que ele me ponderava", afirmou.

Por último, Zwi Skornick, lobista do estaleiro Kepper Fels, comparou o pagamento de propina ao PT com um seguro de carro. “O senhor não quer nunca usar [o seguro], mas paga. Basicamente era dessa forma. Um seguro de carro que não era espontâneo, claro”, afirmou Zwi ao ser ouvido pelo ministro Herman Benjamin, corregedor-geral Eleitoral, nas ações que tratam da cassação da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer.

Comenta-se que Benjamin pode colocar seu relatório para votação ainda neste ano, mas a decisão de colocar o caso em pauta dependerá do ministro Gilmar Mendes.

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