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Brasil

07/05/2015


Depoimento de Jayme Careca sugere manipulação de Youssef

O depoimento do policial federal Jayme Oliveira Filho ao juiz Sérgio Moro sugere possibilidade de manipulação do doleiro Alberto Youssef. Dado na terça-feira, foi um depoimento preocupante pela eventual fragilidade das acusações.

Conhecido como Jayme Careca, o policial jogou na conta de Youssef a responsabilidade pelas acusações que havia feito anteriormente, assumindo em poucos momentos uma ou outra lembrança de recebimento e de entrega de dinheiro.

Fazendo-se de desentendido e posando de vítima, disse que só fez as acusações em depoimento anterior à Polícia Federal porque o delegado teria dito que, se não entregasse ninguém, ficaria preso. Então, Jayme Careca relatou que foi para uma cela ao lado daquela em que estava Youssef e que passou a anotar nomes e endereços fornecidos pelo doleiro.

Isso evidencia o perigo de manipulação da parte do doleiro. Quando indagado por Moro a confirmar o que dissera antes, Jayme Careca afirmou várias vezes que deveria ser verdade, porque Youssef lhe dissera que sim. Além das palavras do doleiro, são necessárias outras provas.

A Operação Lava Jato é importantíssima. Já apurou fatos suficientes para ser um símbolo no combate à corrupção no Brasil. Mas os investigadores devem tomar cuidado para não colher acusações frágeis.

O juiz Sérgio Moro precisa fazer esse filtro. Do contrário, mais à frente, nos tribunais superiores, o processo pode perder força por algum erro ou nulidade. A solidez dos procedimentos de investigação é importante para evitar uma desilusão futura da opinião pública em relação à Lava Jato.

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A vitória apertada na votação da medida provisória que endurece as regras para o seguro desemprego foi um baita susto para o governo. Com uma base de apoio tão grande e 38 ministros, ganhar uma votação desse tipo por apenas 25 votos mostra como o sentimento de rebelião ainda é grande na Câmara.

Se não fosse a ação do vice-presidente da República, Michel Temer, o governo teria sido derrotado. Temer, que é o coordenador político, começou a segunda-feira em reunião com a presidente Dilma Rousseff, dando um alerta sobre a dubiedade do PT. Ontem, teve conversas com deputados da oposição e conseguiu votos até do DEM, um dos principais partidos contrários ao governo.

Pesou o senso de responsabilidade dos que votaram a favor da medida provisória. No entanto, 227 votos contrários mostram como o governo ainda terá um caminho difícil para aprovar a outra medida provisória do ajuste, a MP 664, que trata de regras da pensão por morte do cônjuge. Também não será simples aprovar o projeto que diminuiu a redução de impostos que foi dada no primeiro mandato para alguns setores da economia, a chamada desoneração da folha de pagamento.

O placar de ontem deve servir de aviso para que o governo não tenha uma surpresa desagradável nas próximas votações. Há um longo caminho a percorrer.

Ninguém gosta de endurecer o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários, sobretudo, num período de dificuldade econômica. As medidas são impopulares e vão demandar sacrifícios dos trabalhadores. Mas, por outro lado, são regras que procuram evitar fraudes e abusos. São medidas importantes para a economia e também fazem justiça ao dinheiro do contribuinte.

Blog do Kennedy

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