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Bahia

02/06/2016


Deputados baianos estão divididos sobre punição a Cunha

Quatros baianos compõem o Conselho de Ética da Câmara, que deve votar na próxima semana o parecer sobre a cassação do mandato do presidente afastado da Casa, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). São eles: Tia Eron (PRB), Paulo Azi (DEM), João Carlos Bacelar (PR) e José Carlos Araújo (PR), que preside o colegiado.

Embora do mesmo partido, Bacelar e Araújo devem ter votos diferentes. O primeiro é fiel escudeiro do presidente afastado Eduardo Cunha. Na votação para abertura do processo de cassação no Conselho, em março deste ano, Bacelar votou contra. Ele teve participação ativa no colegiado, impedindo, inclusive, que colegas se esbofeteassem nos momentos mais tensos dos debates.

Foi uma manobra de Cunha que colocou Bacelar no Conselho, antes o parlamentar republicano era suplente e, em fevereiro, substitui o deputado baiano Sérgio Brito (PSD), que alegou motivos de saúde para deixar o colegiado. Já o voto de José Carlos Araújo é tido como “favas contadas”. Ele se manifestou por diversas vezes contra o presidente afastado. Em entrevista à Tribuna na semana passada, chegou a dizer que se “Cunha voltar, a Câmara desaba”. “Ninguém aposta no retorno de Eduardo Cunha, o Brasil não pode apostar”, frisou. Como é presidente do colegiado, Araújo só votará se houver empate.

O voto da deputada Tia Eron ainda é uma incógnita. Nos bastidores, comenta-se que a tendência é um voto para salvar Cunha, pois os dois eram muitos próximos. Ela nega. “Acho que isso é uma imaturidade, é um senso comum que quer chamar a atenção. Me deixa espantosa. Como é que um deputado deixa de ter uma relação com o presidente? Tem que ter. Agora, você chega no Conselho de Ética para julgar um processo sério como o dele; ora, você muda automaticamente, porque se entende a responsabilidade. Tem que ter uma impessoalidade e neutralidade para fazer a avaliação. Meu voto é quem vai dizer se houve ou não essa indução na hora dessa relação entre um deputado e ele enquanto presidente”, rechaçou. A deputada disse ainda que tem sido pressionada por ambos os lados.

O presidente do Conselho, José Carlos Araújo, aposta que Tia Eron votará contra Cunha. “É uma incógnita, mas tenho a impressão de que ela não votará contra a Bahia, o povo e sua igreja”, disse. Já o deputado federal Paulo Azi, se mantiver o discurso de quando votou pela abertura do processo, votará pela cassação do mandato do presidente afastado da Câmara. O Conselho de Ética é composto ao todo por 21 parlamentares. Para o parecer ir para plenário, precisa apenas de votação da maioria.

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