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Brasil

17/09/2015


Destino de Mercadante será decisão mais importante de Dilma

Manter Aloizio Mercadante na Casa Civil ou deslocá-lo para outra pasta será a decisão mais importante que a presidente Dilma Rousseff tomará na reforma ministerial que prometeu anunciar até a próxima quarta-feira. No futuro, a presidente vai colher os resultados da sua escolha, porque ela estabelecerá a estratégia política para enfrentar as novas pressões pela saída da petista do poder.

Hoje, está prevista reunião entre Dilma e o ex-presidente Lula. A presidente quer ouvir a opinião do antecessor sobre a reforma ministerial e o novo pacote econômico. Lula não pressiona a favor da saída de Joaquim Levy da Fazenda, mas pela troca de Mercadante pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Dilma resiste porque Mercadante é o ministro mais fiel a ela. No entanto, a pressão pela saída do atual ministro da Casa Civil cresceu no PT e ganhou forte adesão do PMDB.

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Hoje, ainda são baixas as chances de Levy deixar a Fazenda. Obviamente, há um cansaço do ministro da Fazenda em fazer alertas ao governo e ver profecias negativas se realizarem, como no caso da perda do grau de investimento na avaliação da Standard & Poor’s.

Mas Levy ainda continua com desejo de aplicar uma política econômica que resolva a questão fiscal. Ou seja, que faça o país voltar a ter o controle do fechamento da suas contas públicas.

Os rumores de saída de Levy são recorrentes, mas ainda falta disposição real dele para dar esse passo. Pesa também a avaliação da presidente de que depende de Levy. A saída dele agravaria a crise econômica.

O ex-presidente Lula sabe disso. O problema de Lula não são Levy nem o ajuste fiscal. Mas a falta de outras políticas que possam ajudar na recuperação da economia, como tirar do papel um plano de concessões ou viabilizar crédito para pequenas e médias empresas, que geram muito emprego e estão no sufoco.

Lula aplicou um ajuste fiscal duro quando governou. Na sua gestão, Henrique Meirelles teve um papel fundamental no Banco Central. Dar uma guinada na política econômica seria pular no abismo.

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Oficialmente, o governo continua a dizer que não tem “Plano B”, porque não pode desistir do pacote econômico três dias depois de tê-lo anunciado. Mas, nos bastidores, já sabe que vai ter de tentar aprovar medidas alternativas que possam reduzir gastos e aumentar receitas. Ou seja, vai precisar de “Plano B”.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já começou conversas nesse sentido, que buscam voltar a tentar aprovar medidas que não constam do pacote, mas que estão em debate. Por exemplo: uma reforma da cobrança dos tributos PIS e Cofins.

Levy tratou disso ontem com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e com o senador Romero Jucá (RR), outro peemedebista que sempre relata projetos importantes no Congresso. Levy também voltou a falar com o presidente do Senado sobre medidas de reforma da Previdência que constam daquela série de propostas feitas por Renan em agosto e que a presidente depois deixou em segundo plano, a chamada “Agenda Brasil”.

No Senado, é feita a seguinte análise, em tom de brincadeira: não adianta jogar boia para a presidente, porque ela se enrola na corda.

Ontem, o governo viu que o caminho político para viabilizar a nova CPMF é bem mais árduo do que imaginado. Tentou fazer pressão por meio dos governadores, mas não houve êxito. Agora, vai apostar na opinião de alguns empresários, como a do banqueiro Roberto Setúbal, do Itaú. No entanto, terá de partir para um “Plano B” sem assumir que está fazendo isso.

Blog do Kennedy

IG

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