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Brasil

18/12/2015


Dilma decide que Nelson Barbosa substituirá Joaquim Levy na Fazenda

A presidente Dilma Rousseff decidiu deslocar Nelson Barbosa do Planejamento para a Fazenda. De acordo com assessores, ela resolveu bancar a aposta em um nome mais afinado tecnicamente com ela.

A escolha de Barbosa atende também a um pedido do grupo de economistas do PT que se reuniu ontem com a presidente. Ou seja, Dilma insistirá nas políticas que levaram o país para o buraco.

Com Levy, Dilma tinha dificuldade para interferir na política econômica, apesar de tê-lo feito diversas vezes. Com Barbosa, a ministra da Fazenda será ela.

Ao longo do ano, Barbosa foi uma espécie de ministro da Fazenda do B, um anti-Levy. Agora, um raciocínio usado para justificar sua ida para a Fazenda é que o país já perdeu mesmo o grau de investimento em duas agências, Levy já fez parte do trabalho duro, os indicadores já foram para o espaço e, portanto, tudo bem colocar Barbosa na Fazenda.

Realmente, a presidente Dilma não surpreende. Basta ganhar um fôlego para fazer uma besteira.

A presidente havia acertado com Levy uma saída em janeiro. Queria tempo para buscar um nome para a Fazenda, diante das dúvidas em relação a Barbosa, espécie de preferido desde a campanha eleitoral que teve de ficar na reserva diante das pressões do ex-presidente Lula por mudanças na política econômica.

Derrotado no debate sobre a meta de superavit primário de 2015, Levy decidiu dar sinais públicos de sua insatisfação. A presidente ficou calada. Não procurou demovê-lo e deixou o problema crescer. Foi obrigada a fazer uma troca às pressas, um dia depois de ter colhido uma boa notícia no STF (Supremo Tribunal Federal).

Aliás, esse governo tem um padrão. Se recebe uma boa notícia, não espera 24 horas para arrumar uma agenda negativa e anular parte do efeito positivo que poderia deixar repercutir por mais dias. A escolha de Barbosa será mal recebida pelo mercado e pelos empresários.

De certa forma, a opção por Barbosa já estava no preço dos operadores financeiros, porque os indicadores econômicos pioraram muito. Acontece que poderão piorar ainda mais. E isso é gasolina na fogueira do impeachment, sobretudo agora que o tema ficou para ser debatido de fevereiro em diante.

Barbosa terá pouca margem de manobra para dar boas notícias econômicas. Não há espaço no orçamento. Portanto, terá dificuldade para dar uma guinada à esquerda, como desejam setores do PT e dos movimentos sociais que defendem Dilma.

O mais provável é que, mais uma vez, não se cumpra a meta de superavit primário em 2016. A arrecadação de impostos deverá ser fraca, frustrando novamente a receita pretendida. O risco é o Brasil aplicar um ajuste em banho-maria, que se arraste por 2017 adentro, gerando mais um PIB negativo.

No mercado, dizem que Barbosa sonhou a vida inteira com o posto de ministro da Fazenda. Vamos ver o que vai fazer no lugar de Levy.

Blog do Kennedy

IG

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