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Brasil

05/07/2015


Dilma demonstra impaciência e passa a questionar Levy em reuniões

Nas reuniões internas de governo, o ministro da Fazenda passou a ser constantemente questionado pelos colegas e pela própria chefe. A discordância aumentou à medida que a crise econômica acelerou a queda na popularidade de Dilma Rousseff. Auxiliares definem o "climão". Há apenas seis meses no cargo, Levy foi parar na "geladeira". Trata-se de um destino comum para quem convive com a presidente. Quando ela se aborrece com algo, manda o assessor para a "Sibéria", como se brinca no Planalto, até que sua paciência seja restabelecida.

 

Ministros explicam que tem sido difícil para ela renegar as suas próprias convicções para devolver, com um ajuste fiscal que fatalmente condenaria em tempos normais, a estabilidade econômica. A situação política, dizem, acentua essa ansiedade.

 

Quem observa as discussões do Executivo afirma que Levy costumava ganhar a maioria das disputas internas. Agora, tem obtido bem menos vitórias.

 

Recentemente, foi contrário a diversos pontos do plano de exportações. Não ganhou todos e, incomodado, não foi ao evento do anúncio. O comportamento turrão, contam assessores presidenciais, não vem agradando.

 

Mais e mais, o ministro tem deixado reuniões de governo antes de elas terminarem. Não raro, aparece atrasado. O hábito surpreende aos que perseguem a pontualidade com medo de pitos da chefe.

 

Cansada de ouvir "não" do auxiliar, e envenenada por queixas de ministros classificando-o de "arrogante" e "solista", por nunca dividir a bola, Dilma começou a transparecer alguma insatisfação.

 

Nos bastidores, Levy já foi visto se referindo ao PT como "aquela agremiação". Também não esconde, por vezes, o aborrecimento com o partido do governo, contrário a várias medidas do ajuste fiscal.

 

Em reunião de coordenação, grupo que reúne presidente, ministros e líderes do Congresso, o governo quebrava a cabeça sobre o que fazer com a criação de alternativa ao fator previdenciário, que terá forte impacto futuro sobre os cofres públicos.

 

Levy, como de hábito, reagiu às propostas. Dilma retrucou no ato. "Estou aqui tentando encontrar uma solução. O que você quer que eu faça, Levy?", indagou ela ao ministro, conforme contaram três pessoas presentes.

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