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Brasil

11/12/2015


Dilma diz que não há novidade na postura tucana pró-impeachment

Ao comentar a movimentação em torno do pedido de impeachment e a unificação do PSDB para pedir sua saída do cargo, a presidente Dilma Rousseff declarou que a postura dos tucanos nada tem de “novidade” e que o partido adversário, comandado pelo senador Aécio Neves (MG), está na “base” do pedido aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB­RJ)

“Não é nenhuma novidade, né? Não é possível que os jornalistas aqui presentes tenham ficado surpreendidos. A base do pedido ou das propostas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é o PSDB. Sempre foi”, afirmou a presidente em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (11). “Ou alguém aqui desconhece esse fato? Porque senão fica uma coisa um pouco hipócrita da nossa parte fingirmos que não sabemos disso”, completou.

Na noite de quinta ­feira (10), a cúpula do PSDB se reuniu em Brasília em busca da "unificação” do discurso para apoiar o encaminhamento do pedido de impeachment da presidente Dilma. Até então, embora se comportassem como defensores da retirada de Dilma nos bastidores, nas declarações públicas, os principais membros do partido tentavam passar uma imagem de “sobriedade”, até com o objetivo de se descolarem do comportamento raivoso do presidente da Câmara, e dos movimentos de rua, considerados fracos e sem robustez política.

Esta postura ficou bem clara nas declarações recentes do senador Aécio Neves, que adotou um discurso “morno” após a aceitação, por parte de Cunha, do pedido de impeachment. O temor dos tucanos era de encarnar o caráter golpista atribuído por setores da sociedade ao impeachment.

Dilma ainda comentou que não tem interesse em interferir em decisões internas de partidos aliados, um assunto que ela chegou a tratar com o vice-presidente Michel Temer na famosa conversa de reconciliação pós-carta, na qual ele teria pedido que o governo não interferisse na definição do líder do partido na Câmara.

Na busca de apoio contra o impeachment, no entanto, ajudar a devolver a liderança da bancada ao deputado Leonardo Picciani (RJ) faz parte da estratégia da articulação do Planalto, já que se trata de ampliar dentro do PMDB, a presença de parlamentares governistas. “São coisas completamente distintas”, afirmou a presidente ao ser questionada sobre as articulações entre partidos aliados.

Dilma se esforçou ainda para enfatizar o caráter positivo de sua conversa com Temer, depois de uma semana de episódios, incluindo a carta cheia de ressentimentos, que explicitou dificuldades na relação dos dois. “Colocamos a importância de todos nossos esforços para a melhoria das condições econômicas e políticas do País”, declarou.

IG

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